Marvão
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Opinião de Graça AmiguinhoNestes dias de medo e incerteza que vivemos, para que a nossa saúde mental não seja afectada pela distância dos que amamos e pelo isolamento a que muitos estão e continuarão a estar obrigados, devido ao receio de uma possível contaminação do vírus que alastrou por todo o mundo, temos que procurar alternativas, abrir janelas para o mundo, não nos deixarmos cair nas malhas do desespero.

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Sempre que seja possível, aproveitemos este tempo de verão para sair de casa, visitar lugares onde sempre desejámos ir, fazer o que nunca tivemos oportunidade de fazer, enriquecer os nossos conhecimentos e apreciar a beleza da natureza que continua mais linda do que nunca.

Continuando pelos caminhos da Rota da Fronteira, hoje vamos visitar Marvão.

A sua paisagem é maravilhosa e considerada “uma das mais belas do Alto Alentejo” com “um dos mais soberbos panoramas do país”. Por aqui encontramos as nascentes do rio Sever, um afluente do rio Tejo.

Passando pela ponte romana e pela Portagem vemos um cruzeiro de mármore, manuelino, indicando um convento Franciscano. No interior do convento, na igreja, há uma capela setecentista dedicada a Nossa Senhora da Estrela, à qual está associada uma lenda.

Conta-se que um pastor, guiado por uma estrela, teria encontrado a imagem de Nossa Senhora, perdida desde o tempo dos Visigodos. Perante tal milagre, o povo exigiu aos franciscanos, uma igreja e em 1448, eles iniciaram a construção do convento.

Como sabemos, os franciscanos viviam pobremente, mas tinham ali uma lindíssima paisagem.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

No meio de tanta simplicidade, podemos observar o tecto da capela, finamente trabalhado, as suas paredes cobertas de azulejos e pinturas, o altar e o pavimento em mármore italiano.

Do convento, já vemos o “castelo de Marvão”, tão alto que, segundo uma expressão do grande escritor português, Raul Brandão, “as águias voam de costas”.

Quase nos parece impossível que alguém, alguma vez, se decidisse a atacar aquele penhasco.

Subir a pé, até às muralhas, não é tarefa fácil. Poderemos imaginar o que seria um ataque ao castelo, com os homens armados, sendo apanhados por setas e pedregulhos, vindos lá de cima!

O castelo, pela sua importância estratégica na defesa da fronteira, foi atacado diversas vezes e, em algumas delas, rendeu-se.

Foi conquistado aos mouros, por D. Afonso Henriques, em 1166 e reformado em 1226 por D. Sancho II. Fez parte das terras de D. Afonso Sanches, candidato à coroa portuguesa, sem sucesso. Foi palco de várias guerras tais como em 1385, quando foi quartel – general das forças espanholas, e em 1641 – 1644, quando resistiu ao invasor. Na guerra civil esteve ao lado dos liberais e foi ocupado pela Legião Patriótica do Norte. Durante a revolta da Maria da Fonte, recebeu os últimos ocupantes bélicos espanhóis.

Hoje, tudo mudou, felizmente. Os nossos vizinhos espanhóis são visitantes assíduos e pacíficos, que se encantam por poderem observar, de fora, o seu país, duas montanhas mais adiante!

Qualquer visitante pode subir até à Torre de Menagem, quadrangular e maciça, de onde observamos um panorama que a nossa vista não alcança. Isto faz-nos compreender melhor que os ataques ao castelo só podiam ser levados a cabo, através da vila, situada na continuação do penhasco. De todos os outros lados, as rochas são um verdadeiro obstáculo.

A vila, chamada “Santa Maria de Marvão”, é relativamente pequena. O casario fica encarrapitado na encosta com ruas a pique, até um pequeno largo onde fica a “Capela de Nossa Senhora da Conceição”.

No casario podemos observar alguns detalhes especiais, tais como uma bela “janela manuelina”, geminada, e na Câmara Municipal, as “armas manuelinas”.

Nas duas igrejas da vila, os seus portais são em granito. Há uma casa na Rua do Espírito Santo que ostenta duas sacadas seiscentistas, comparadas às de Portalegre.

Marvão é um lugar único no Alto Alentejo, semelhante a um ninho de águias, de onde se vê o mundo todo, lá em baixo.

Neste dia em que comemoramos um dos Santos mais Populares da nossa terra, S. João, com um cheirinho a manjerico e saboreando uma boa sardinha assada, não deixemos morrer em nós a esperança de vivermos dias tranquilos.

Um bom passeio virtual, pelas nossas terras!