Início Opinião Nuno Pires Meias só nos pés e às vezes picam

Meias só nos pés e às vezes picam

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Elvas vive hoje mais um dia grande da sua história. No presente como no passado, continua a ser local privilegiado para encontros bilaterais entre Portugal e Espanha.

Desta feita é a bandeira da ferrovia que se acena e o lançamento do concurso para a construção da linha que unirá Elvas a Évora e daí ao porto de Sines.

Há muito prometida, estudada, perspetivada, viu-se confinada ao fundo escuro de uma gaveta em virtude da Troika, da crise, das mudanças de cor políticas, para renascer em cenário de retoma económica em que, a obra pública volta a tomar a dianteira. Valha-nos isso.

Apelidada como a maior obra ferroviário nacional dos últimos cem anos, todos lhe reconhecemos valor, aproximando o interior dos portos marítimos e colocando-nos na rota do comércio europeu.

Talvez peque por tardia, mas mais vale tarde que nunca.

Finalmente um investimento estruturante para esta zona interior do país que trará a Elvas as mais altas figuras dos governos dos dois países e a Comissária Europeia dos Transportes e Mobilidade.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Mas como não há bela sem senão, as notícias recentes dos avanços levados a cabo pela Plataforma Logística de Badajoz deixam-me um amargo de boca.

Inicialmente prevista e anunciada, no âmbito do projeto que amanhã se oficializa, para receber uma gestão conjunta e partilhada, a Plataforma Logística parece avançar apenas de um dos lados da fronteira num claro exemplo que a Eurocidade não é uma realidade.

O que falhou? Enquanto cidadão comum, desconheço-o. Terá faltado diálogo? Terá faltado iniciativa por parte do governo português? Candeia que vai à frente alumia duas vezes? Não sei.

Sei apenas o que vejo: a terraplanagem dos terrenos em território espanhol, os contatos de colaboração já efetivados com o porto de Sines e noticiados pela comunicação social pacense.

E nós por cá? Perguntaria a Conceição Lino.

Nós por cá parecemos sentenciados a ver passar os comboios.

Nos últimos meses têm-se dado passos na criação de postos de trabalho, do qual a inauguração também esta semana do projeto Randstad é um bom exemplo, mas um projeto desta envergadura, mesmo que partilhado, atrairia mais investimento, geraria fixação de pessoas e alavancaria a economia local e regional.

Fá-lo-á também se for efetivado em Badajoz, pergunto-me? Sim, certamente que sim, tal como já aconteceu com outros projetos pacenses que tiveram impacto na cidade raiana e na região.

Mas que destino estará reservado para Elvas quando o gigante ao seu lado cresce cada vez mais? Benefícios teremos, mas tenho duvidas quando o “Golias” parece pensar unicamente e exclusivamente em si próprio. Somos mais do que um conjunto patrimonial bem cuidado que se mostra aos visitantes e do qual parecem querer servir-se.

Diz-se que a Eurocidade está em fase de constituição formal para que a partilha de serviços e de esforços seja efetivada, mas até lá continua cada um por si.

Oxalá a visita de hoje nos traga novidades e a somar ao momento histórico que se assinala se acenda uma luz forte e intensa que nos ilumine a travessia, muitos vezes feita na total e completa penumbra.

Palavras leva-as o vento.