Vila de Arronches - Emilio Moitas
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Opinião de Graça AmiguinhoComeçámos a nossa digressão pela Fronteira que nos liga a Espanha, no Alto Alentejo, passando por Meadas, Castelo de Vide, Marvão, e hoje caminhamos para sul, descendo a serra pela estrada de Portalegre.

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O ar quente parece sufocar-nos e as raras sombras são um convite aliciante para uma breve paragem. O verão escaldante do Alentejo está no seu auge.

Deixamos para trás a verdura da serra de S. Mamede, e todo o ambiente se vai mudando.

Estamos entrando na paisagem típica do Alto Alentejo, levemente ondulada e salpicada, aqui e além, de árvores. Ainda observamos alguns cabeços que ainda abundam, como sinal de acompanhamento da linha da fronteira.

Todas as cidades desta área eram fortificadas, já o sabemos. Primeiro, porque os cristãos se queriam defender e expulsar delas os mouros, que as haviam ocupado a partir do século VIII, depois, para se defenderem nas lutas travadas, ao longo dos tempos, com a vizinha Espanha .

Nestas terras bravas e montanhosas, muito sangue correu.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

A vila de Arronches é limitada a norte por Portalegre, a leste por Campo Maior, a sul por Elvas, a oeste por Monforte e a nordeste pela Espanha.

Arronches também teve um castelo mas dele já nada resta. Foi destruído e reconstruído tantas vezes, que numa das batalhas travadas, não foi restaurado.

Consta que terá sido nesse castelo que se reuniram as Cortes de 1475, nas quais o rei D. Afonso V anunciou que ia casar com a princesa espanhola, sua sobrinha, D. Joana, tentando, através do matrimónio, ocupar o trono de Espanha.

Porém foi derrotado na batalha de Toro, e a Espanha continuou independente para sonhar ocupar o trono de Portugal.

Durante esse período, Arronches assistiu a várias batalhas, tendo até dado nome a uma, em 1653.

Se o castelo caiu completamente, a Igreja matriz, quase desapareceu, sobretudo a sua fachada que desabou no terramoto de 1755. É uma relíquia do século XIII e foi completamente restaurada, após o abalo de terra que quase a destruiu.

Graças a esse restauro, podemos observar, nas suas paredes interiores, uma magnífica faixa de azulejos sobre a qual assenta outra, ainda mais digna de admiração, com pinturas emolduradas em talha.

Poderemos ainda visitar, em Arronches, o convento de Nossa Senhora da Luz, pertença dos monges Agostinhos descalços, obra com uma série de arcos quinhentistas, apoiados em colunas simples que quase ocultam o portal renascentista.

O casario da vila é simples, caiado de branco com o azul vivo, característico da região, no qual, a luz forte e transparente, o torna notável.

Ao cair da tarde, não podemos perder o encanto de um pôr – do – sol, com uma intensidade alaranjada, que nos transporta a uma dimensão hiper – realista!

O Alentejo tem sempre algo de novo e encantador para nos oferecer.

Ele espera por si, caro leitor!