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Na rota da seda

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Quando, no Sec XVI, o mar foi o melhor caminho escolhido pelos corajosos navegadores portugueses para alargarem horizontes e tornarem Portugal, e a cidade de Lisboa, num dos principais interpostos comerciais de especiarias, hoje, a abertura é total, rápida e eficiente.

Os povos estão mais próximos uns dos outros e podem, com maior facilidade, fazer, entre si, trocas culturais e comerciais.

Se muitas dessas ações trazem alguns prejuízos para uns, para outros, são um manancial de oportunidades de crescimento, pois a partilha de saber e a aplicação produtiva de capitais pode gerar, a médio e longo prazo, um maior progresso económico entre as partes envolvidas, desde que, devidamente controladas por entidade competente para o fazer.

Todos sabemos que a China é a 2ª potência mais poderosa do globo e que poderá ser o fiel da balança num equilíbrio entre o ocidente, – a América, e o oriente, – a Rússia.

Há uns trinta anos atrás, quando, por razões comerciais, me deslocava frequentemente a Paris para adquirir peças de pronto-a-vestir, via, nos hotéis onde ficava instalada, imensas pessoas chinesas, carregando enormes malas e interrogava-me para que precisariam aqueles «turistas» levar tanta bagagem?

Vim a saber que não eram simples turistas, mas fabricantes de vestuário que vinham a Paris mostrar as suas coleções e colocá-las no mercado europeu.

Nessa altura, as transações comerciais ainda eram feitas, apenas, dessa forma.

Mesmo os grandes costureiros como Christian Dior, Givenchi, Paco Rabane, e outros, compravam os tecidos bordados com lantejoulas e pedrarias, aos chineses e, em determinada altura, deixaram de os confecionar em Paris, onde a mão de obra era mais cara e passaram a mandar fazer tudo na China.

Já depois de haver trânsito livre de pessoas e bens na CEE, fui assistindo à queda dos grandes grossistas, tanto em Paris como em Milão ou Madrid, e esses espaços de comercialização foram sendo ocupados pelos chineses.

Para Portugal vieram, um pouco mais tarde, com bugigangas, e proliferaram, por todo o lado, as chamadas «Lojas dos 300».

Porém, a pouco e pouco, fomos invadidos por peças de vestuário e calçado, primeiro, sem grande qualidade, mas com preços incrivelmente baixos e sedutores para o comprador.

Nos últimos dez anos, a entrada de peças de vestuário de qualidade e com preços muito acessíveis, tem sido uma constante, e algumas com bastante gosto e muita originalidade.

Isso levou ao fecho de muitos pequenos fabricantes e de muitas lojas nacionais que não tinham capacidade para competir com tão poderoso concorrente.

Se foi bom ou mau para a nossa economia, não tenho dados para o poder comprovar, mas que o povo se pode vestir, decentemente, e com pouco dinheiro, é uma realidade.

Muitos atribuem essa concorrência, apelidada de desleal, ao facto de o nível de salários pagos ao trabalhador, na China, ser muito baixo.

Atualmente, a China vai entrando nos mais diversos sectores da economia do nosso Portugal.

O desejo de todos nós será, certamente, que daí advenham proveitos para as duas partes, e não apenas, para o parceiro mais poderoso.

Progresso e inovação serão bem-vindos, se com eles trouxerem mais emprego, e bem pago, aos portugueses.

Como diz o ditado: «p’ra melhor, está bem, está bem… pr’ra pior já basta assim!»