Publicidade   
   Publicidade   

Quando, naquela linda manhã de Agosto, há quase cinquenta anos, perante Deus e os homens, jurámos fidelidade um ao outro e amarmo-nos em todos os momentos bons ou maus, alegres ou tristes, que a vida nos reservasse, dissemos essas palavras, convictos de que o desejo de sermos os dois uma só carne era maior do que todas as forças do universo e a chama do amor que em nós palpitava, nada nem ninguém, a poderia jamais apagar.

   Publicidade   
   Publicidade   

Talvez, nesse momento de emoção, não imaginássemos, quanta responsabilidade e espírito de doação e abnegação, essas doces palavras carregavam.

Os tempos modernos muito têm alterado os preceitos antigos.

Por um lado, é positivo que homens e mulheres assumam as suas escolhas erradas e repensem a vida que têm e se ela é, ou não, verdadeiramente, o que haviam sonhado, mudando de marido ou mulher, com uma facilidade que se vai tornando, absolutamente normal, socialmente.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Triste e dramático é, infelizmente, vermos mulheres assassinadas pelos seus maridos, muitas vezes, quando elas decidem fazer outras escolhas e mudar de vida.

Imagino como deve ser difícil arrumar os sentimentos, vivências e emoções do passado, em caixas que serão consideradas inúteis e até desprezíveis, porque não há lugar para nelas entrarem os novos amores, as novas relações afetivas.

Todos sabemos que, noutros tempos, as relações familiares nem sempre foram revestidas de frontalidade, abertura e verdade, e muitas vidas em comum eram vividas na hipocrisia e na mentira.

Porém, quando o amor perdura, se solidifica, se torna uma centelha do amor de Deus, se purifica e não se deixa ludibriar pelo prazer carnal, quantas vezes, efémero, esse sentimento é mais forte do que a morte.

O verdadeiro amor cresce ao longo dos anos de sã convivência e partilha generosa, fortifica-se nas horas de luta, sofrimento e dor, numa entrega desprendida e franca, porque quem ama intensamente, não se inibe de se dar, não olha a sacrifícios para ver o outro feliz, tudo faz para superar as horas difíceis de forma que o ser amado se sinta amparado, compreendido e respeitado.

É assim o amor sincero, o amor pleno, o amor onde a graça e a esperança se entrelaçam e se fundem.

Felizes os casais que nas horas de adversidade, nos momentos de ansiedade e preocupação, estão lado a lado, estimando-se e transformando em luz os momentos de escuridão, luz que se irradia e ilumina todos à sua volta.

Só quem se dá sem reservas, quem sente no corpo e na alma o sofrimento do outro, quem tudo faz sem olhar a sacrifícios para aliviar a sua dor, sabe a força que corre nas suas entranhas, a beleza e o encanto do maior sentimento e o mais puro, o amor!