Cravos no 25 de Abril
   Publicidade   
   Publicidade   

Opinião de Graça AmiguinhoA braços com uma terrível pandemia, que nos tem roubado a saúde, a paz, o trabalho, a liberdade e a alegria de conviver, não podemos desanimar e não vamos desistir de procurar as atitudes de comportamento social, mais corretas, que nos ajudem a reencontrar, tudo o que foi perdido no último ano.

   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 

Neste mês de Abril, voltam sempre à tona do nosso pensamento, aqueles dias de entusiasmo, alegria e esperança, despertados pelo som de uma canção, “E depois do Adeus” que serviu de senha aos soldados envolvidos na mais extraordinária missão, alguma vez vivenciada pelo povo português, numa madrugada clara e decisiva, que nos conduziria por caminhos de progresso, justiça, paz, igualdade e liberdade.

Os longos anos de solidão, guerra, opressão e tortura, vividos por tantos portugueses, obrigados a matar, sem razão, a sair da sua terra, porque nela não havia pão, a calar a sua opinião, porque a liberdade de dizer o que se pensava era uma condenação e uma entrada fácil nas masmorras das prisões, seriam finalmente enterrados, sem ser necessário conduzir ao cadafalso, ninguém, usando “cravos, nos canos das espingardas”, cantando a voz de um povo amordaçado, de um povo submisso mas não conformado, de um povo trabalhador e ordeiro, mas com o direito de sonhar um futuro melhor, tudo isso contido, simplesmente, na mais linda melodia, “GRÂNDOLA VILA MORENA, TERRA DA FRATERNIDADE! “.

Construir uma DEMOCRACIA era o grande objetivo a alcançar, escrever uma NOVA CONSTITUIÇÃO que salvaguardasse os direitos fundamentais de uma sociedade tão amargurada e explorada, que abrisse portas de oportunidades a todos os cidadãos, independentemente da sua condição social, sexo, raça ou religião.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

O DIA 25 DE ABRIL DE 1974 trouxe-nos a alegria de viver, a certeza de um futuro mais justo e equilibrado, o incentivo a mudanças de paradigmas enfeudados, uma abertura ao mundo, nunca antes, possível e o sentimento de que, apesar de sermos um país pequeno, podemos estar ao lado dos grandes e poderosos, com a nossa inteligência e força de trabalho.

A maioria do povo português rejubilou, acreditou, confiou nos ideais democráticos, reconquistou direitos que o fascismo lhe tinha retirado, como o direito de voto das mulheres, a liberdade de poder divorciar-se, quando as famílias o desejassem, assim como conquistar o que estaria longe de poder ser uma realidade, como se tornou o Serviço Nacional de Saúde, ao qual todos os cidadãos têm acesso, o direito à reforma, o direito a subsídios de férias e natal, a liberdade de expressão e de associação, enfim, tantas, tantas coisas, que hoje parecem naturais, mas que, até ABRIL DE 1974, não existiam em Portugal.

Os anos vão passando, os grandes entusiastas vão morrendo, os seus sucessores, nem sempre herdaram o mesmo fulgor, o mesmo amor, porque não vivenciaram os anos terríveis da Ditadura.

Nem sempre, ao longo destas últimas décadas, os Ideais de Abril têm sido a norma seguida por quem nos representa na Assembleia da República, nem sempre os interesses comuns, a toda a população, têm tido lugar privilegiado, mas nada disso poderá ofuscar as grandes vantagens de viver em DEMOCRACIA.

Que os cravos de Abril continuem vigorosos, perfumando os nossos dias, tal como há 47 anos e Portugal percorra caminhos de estabilidade e progresso.