Festival da Canção 2021 - The Black Mamba
Pedro Pina | RTP
   Publicidade   
   Publicidade   

Opinião de Graça AmiguinhoPegando na expressão usada pelo senhor Presidente da República, no seu ato de posse, um discurso de grande conteúdo social, político e moral, que desejo ver tornar-se realidade para bem de todos os portugueses, dela farei o tema desta minha crónica.

   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 

Durante o último ano, quer o desejássemos ou não, vivemos isolados, afastados dos convívios sociais que tanto confortavam os nossos dias, apesar de não termos tendência para nos fecharmos, como se estivéssemos numa “ilha perdida,” no imenso oceano da vida.

Vivemos numa “bolha”, temendo que a doença em circulação chegasse perto de nós ou que nós a pudéssemos, eventualmente, transportar e contribuirmos, sem o desejarmos, para ser o seu meio de propagação.

Fomos um Portugal marinheiro que cruzou os mares, neles morreu, tantas vezes, mas nunca desistimos de enfrentar as tempestades e os reveses da vida.

Essa é uma das grandes razões que contribuiu para que a nossa Língua Portuguesa chegasse tão longe e se tornasse a 5ª Língua mais falada no mundo, por 250 milhões.

Língua românica flexiva, ocidental, com origens no “Galego-Português,” falada no Reino da Galiza e no Norte de Portugal.

Com a criação do Reino de Portugal, em 1139 e a sua expansão para sul, na Reconquista Cristã, dilatou-se, prolongando-se, mais tarde, a partir do reinado de D. João I e da realização dos sonhos do seu filho, o Infante D. Henrique, “O Navegador,” quando as caravelas portuguesas seguiram pelos mares fora e os seus marinheiros a levaram, a todos os confins do mundo.

Sabemos que D. João I casou com uma senhora inglesa, D. Filipa de Lencastre. Também sabemos que a sua influência na educação dos filhos foi prodigiosa, de tal forma que, para sempre, a sua descendência ficou conhecida com “Ínclita Geração”, cantada por Camões no Canto IV dos Lusíadas e por Fernando Pessoa na sua obra “Mensagem”.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Essa Aliança existe há 600 anos, sem alguma vez, Portugal perder a sua identidade ou ter esquecido a sua Língua e optado pela Língua Inglesa.

Aqui chego ao ponto de partida do título deste artigo “Não somos uma ilha”!

Não somos, nem queremos ser, queremos viver de braços abertos ao mundo, partilhar com ele o que temos de melhor, receber com agrado quem nos visita, vencer todos os obstáculos inerentes às diferenças linguísticas, mas continuarmos sendo nós mesmos, sem perda da nossa identidade e do que nos torna distintos dos outros povos.

Tanta dissertação para chegar ao último “Festival da Canção” e à canção que nele saiu vencedora.

Sem querer minimizar a qualidade artística do vencedor, a beleza melódica do tema, abomino, de alma e coração, que a escolha tenha recaído numa composição, cantada em inglês.

A culpa principal não é do concorrente, mas do promotor do Festival, a RTP, a Televisão de todos os Portugueses, a Televisão Pública.

Que as Televisões privadas façam o que muito bem entendem, é problema que não nos diz respeito. Mas a Rádio e Televisão Portuguesa, não salvaguardar a Língua Portuguesa, não contribuir para o seu enriquecimento e expansão, é lamentável.

Como se diz vulgarmente, “vamos de mal a pior”.

Para ganhar prestígio, não precisamos vestir a pele de outros povos, embora por eles tenhamos o maior respeito.

Para ganhar prestígio, devemos enaltecer o que nos distingue de outras culturas, para que nos possamos admirar, mutuamente, mantendo intacta a nossa Portugalidade.

Não queremos viver isolados, mas também não será este o melhor caminho, que muitos estão querendo percorrer.

Amemos a nossa Língua Portuguesa, prestando homenagem aos grandes escritores e poetas que, através dos séculos, a tornaram mais bela e rica!