Não-te-disse-adeus_-Graça-Amiguinho
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Na fase mais difícil da minha vida, dominada por sentimentos de tristeza e uma profunda saudade, não cruzei os braços e, de acordo com o desejo do meu Amor de sempre, aqui está o meu 3º livro de Poesia, uma obra que marcará, sem dúvida, uma nova etapa da minha existência.

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Não irei falar do que escrevi, mas tomo a liberdade de publicar o Prefácio da obra, escrito por um coração bondoso e sensível que, embora separado de nós, fisicamente, espiritualmente sempre esteve ao nosso lado, fazendo parte da nossa caminhada.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

António Rodrigues é meu sobrinho e afilhado de casamento, filho da irmã do meu amado, uma senhora já com 84 anos, mas lúcida e portadora de uma grande força, que a tem ajudado a aceitar as agruras da vida.

Desconhecia nele esta sua extraordinária capacidade de expressar os mais puros sentimentos de alma. Apercebi-me da sua arte poética e em prosa, quando o convidei a entrar na Colectânea Eurocidade.

Mais um valor alentejano descoberto, que muito pode dar à nossa cidade de Elvas, porque, nascido em Santa Eulália, criado em Elvas, a sua sensibilidade e amor às origens, mostram bem a sua índole  e o seu amor à terra que pisou e onde a sua personalidade se configurou.

Aqui vos deixo o maravilhoso texto que escreveu para o meu «Não te disse Adeus»!

PRÓLOGO ou PREFÁCIO

No momento em que fui convidado para escrever o prólogo desta magnifica obra, confesso que senti um forte calafrio. Aquele calafrio que se sente, por um lado honrado pelo convite e, por outro lado, arrebatado por aquela sensação de quem, envolvido na complexidade de tantas sensações, poderia não conseguir traduzir ou estar à altura de expressar aquilo que lhe vai na alma.

Decidi então transformar aquela complexidade, no etéreo e permanente sentimento de Amor e carinho, sensibilidade e dor, revolta e energia, esperança e desafio, confiante na certeza de que a nossa poetisa, se encontra ávida de nos entregar, a confiança da sua imaculada ligação com Deus e, quiçá mais importante, com o seu companheiro de sempre.

Aquela ligação, que envolve toda uma vida de luta, mas também de compreensão e aceitação; luta pela escolha do caminho certo a seguir; luta pelo núcleo familiar que construiu com tanta dedicação; luta pelo temor de sofrimentos que a vida também lhe infligiu; uma vida de luta, primeiro pelos outros e, só depois por si própria. Estas lutas, a Graça Amiguinho ainda hoje as trava, exibindo-as aos homens e a Deus, em quem nunca deixou de confiar, fosse qual fosse o grau de certeza da sua sobrevivência terrena e espiritual. E que me desculpem os leitores desta obra que são ateus. A verdade é que na vida de cada homem, há sempre um Deus que nos aconchega, que nos liberta e nos concede a força da continuidade. Dêem-Lhe o nome que quiserem. A verdade é que todos somos teístas.Não-te-disse-adeus_-Graça-Amiguinho

E é nesta montanha de mistos sentimentos, de lutas e crenças que encontramos a Graça Amiguinho.

“Não te disse adeus”

E aqui tudo recomeça.

Até se podia pensar que toda a obra se centra numa dedicatória ao final de qualquer coisa, ou mesmo ao final de alguém. Como se tivesse havido final…

Não foi assim que eu li a obra. Não foi assim que a senti! Ou por intimamente querer negar aquele final, ou porque aquele final marcaria, na minha visão, o principio de qualquer coisa. E dir-me-ão: mas esta obra não concentra, ela própria, uma dedicatória ao companheiro de vida – o meu tio e padrinho Humberto Nepomuceno – da sua autora? Não se adivinhará em cada conjunto de fonemas, em cada oração ou em cada estrofe, um encontrar do destinatário da obra? Não lhe reconheceremos a origem do encantamento que, de diferentes formas, ali é transmitido por Graça Amiguinho?

Nada pretendemos inventar; não podemos circunscrever a ação daquele sentir às circunstâncias que padronizaram cada pedacinho desta excecional construção.

Na Faculdade de Letras de Lisboa, onde nos anos 80 frequentei o antigo curso de Filologia Românica, cheguei a estudar, direi mesmo exaustivamente, Padre António Vieira, no âmbito da disciplina de Estudos Literários. E serve esta introdução para citar esse grande filósofo e religioso, quando exaltava o seguinte pensamento… “O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.” E é nesta complexidade, entre o verdadeiro sentir e a realidade da vida, que reside a vida dos homens.

E é tanto assim, que a douta análise daquele mestre, o levou a concluir que “Somos o que fazemos. Nos dias em que fazemos, realmente existimos; nos outros, apenas duramos.”

Por isso a Graça Amiguinho se dedicou, de facto, a FAZER, a continuar trabalho, a prosseguir o objetivo de vida, e essencialmente a questionar o Humberto sobre a validade de cada palavra.

É a importância desta insistente não desistência que nos abraça, que nos domina, que nos avassala na nossa humilde criatividade, dando lugar a uma Graça repleta de graças, a uma Graça Amiguinho repleta de sensações, a uma esposa repleta de saudades, a uma mãe cheia de carinhos e afetos e a uma poetisa cujos sentimentos tomam, com a facilidade que lhe conhecemos, a espontânea forma de palavra.

Por tudo isso, Graça Barros Amiguinho, o nosso permanente agradecimento e forte aplauso.

Por tudo isso, a minha sentida gratidão.

António Manuel Nepomuceno Rodrigues