Publicidade   
   Publicidade   

Opinião de Graça AmiguinhoNunca poderá ser entendida, esta quadra festiva, por quem não sabe amar, porque Natal é Amor, Natal é comunhão, Natal é partilha, Natal é união!

   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 

A vida pode tirar-nos tudo, pode roubar-nos a alegria, mas nunca nos poderá tirar a capacidade de Amar.

Só o Amor é a fonte que nos sacia, a água que nos purifica, a verdadeira razão de viver.

Quando se fala em Natal, fala-se sempre em dar, oferecer, nem que seja um sorriso, uma palavra de esperança, a quem dela precisar, mesmo não a pedindo.

Por isso o poeta diz: “Natal é quando um homem quiser…”

Seria um mundo diferente, mais humanizado, se todos assim pensássemos, se todos quiséssemos fazer de cada dia da nossa vida, um dia de Natal!

Natal significa nascimento, mas o nascimento do Amor puro, do amor verdadeiro, da candura, da entrega sem interrogações, do perdão.

O nascimento de Jesus de Nazaré trouxe ao mundo a mais bela lição de Amor, o exemplo mais visível da fraternidade, a prova real de que todos os homens são irmãos, independentemente da sua condição social, da sua raça ou crença.

Não é em vão que são as criancinhas que mais vibram com a chegada da quadra natalícia. No pensamento dos adultos cresce o desejo de surpreender os mais pequeninos, alimentar o seu imaginário, embora se note uma tendência menos positiva que as pode conduzir para o supérfluo e o egoísmo.

Lembro-me de ser criança, lembro-me de imaginar o Menino Jesus descendo pela grande chaminé da minha casa no Alentejo, trazendo os chocolatinhos que eu tanto desejava, todo o ano, e que os meus pais não me podiam oferecer. Já que o Menino Jesus era Deus e Senhor, ele iria satisfazer esse meu desejo. Por isso deixava as minhas botinhas, à noite, na chaminé, para que Ele tivesse onde colocar a galinha, a sombrinha, o coelhinho, delícias de chocolate que já me faziam água na boca, só de pensar nelas.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Essa noite abençoada, era a única do ano em que eu via o meu Pai, à lareira, a ajudar a minha Mãe, fazendo as filhós, as azevias e os nógados.

A minha Mãe tendia as massas preparadas com farinha de trigo, banha de porco, sumo de laranja, ovos e um cálice de aguardente e o meu Pai fritava-as, num grande tacho de cobre, colocado sobre a trempe, aquecido pelas brasas escaldantes da lenha do madeiro de azinho, a arder na lareira da nossa chaminé, o melhor que tínhamos e que era guardado para nos aquecer na noite de Natal, até altas horas.

Éramos cinco crianças, criadas em tempos de grandes dificuldades, mas no Natal, havia um tratamento especial e nunca nos faltaram os miminhos que tanto valor tinham para nós.

Não havia os exageros de consumismo dos tempos atuais. A maioria do povo português vivia com muitas carências. Mas nada disso nos roubava a Fé, a Esperança e a Caridade ensinadas por Jesus.

O pouco nos fazia felizes. Em pequenas coisas encontrávamos uma alegria pura e desinteressada.

O Natal sempre esteve associado às mais belas canções, entoadas na noite fria e escura, embora essa noite fosse a mais brilhante pelo seu mistério e encanto.

O Alentejo é pródigo em cantares e cantores e é uma honra a minha cidade de Elvas ter o mais belo Cancioneiro de Portugal, creio. Nele se guardam as lindas canções de Natal, de tal forma que o “Natal de Elvas “é conhecido em todo o lado, pelos seus sons dolentes e cheios de ternura.

Desde sempre me lembro de ouvir cantar ao Menino, tanto na Igreja como pelas ruas, nessa noite abençoada em que, para dar mais ritmo às músicas, os alentejanos associavam as suas roncas, feitas com panelas ou cantarinhas de barro, com os bocais cobertos com uma pele de coelho, uma cana nela espetada, o cuspo da saliva deitado na palma da mão e esta roçando a cana. O som estridente e rouco ficou para sempre nos meus ouvidos.

Tudo era forma de louvar o Salvador, o seu nascimento, o Amor da sua Família, a sua União, o seu Silêncio.

Jesus nunca esteve só. Maria e José sempre estiveram a seu lado, ensinando, amando, sofrendo, tentando aceitar e compreender o seu misterioso destino.

Que o Natal seja, em cada Família, o fortalecer dos laços de ternura.

Que ninguém deixe morrer o mais puro encanto da natureza, o verdadeiro Amor, mesmo sem abraços e beijos.

Feliz Natal, queridos leitores, com muita Saúde, Paz e Amor!