Início Opinião Graça Amiguinho Notre-Dame de Paris

Notre-Dame de Paris

Ver-te envolta em chamas, qual «Joana D´Arc», foi cena que me chocou e entristeceu.

Quantas vezes te olhei de longe, quantas vezes dentro de ti rezei, elevando às alturas, as minhas orações, na grandiosidade do teu ser!

Símbolo de fé e devoção Marianas, séculos de história e arte dos homens crentes foram devorados por fogo incontrolável, comoveram até, os não católicos, pois há jóias universais que a todos pertencem.

Tu, Notre-Dame, és uma, senão a maior prova, da devoção da Europa ao Sagrado Coração de Maria, a Mãe de Deus feito homem, a Mãe bendita e protectora de todos os humanos!

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Há uns anos, quando, por motivos comerciais, ia várias vezes a Paris, aproveitava as viagens económicas com saída ao sábado à noite, de Pedras Rubras e o regresso na terça-feira, pela madrugada.

Assim, era com imenso agrado que, no domingo, logo pela manhã, percorríamos as ruas silenciosas de Paris, ainda adormecida, e íamos à Eucaristia que se celebrava em Notre-Dame.

Nela ecoavam os mais belos cânticos de salmos, cantados por vozes divinas.

Caminhávamos sem nos cansarmos e os nossos sentidos estavam atentos a todos os pormenores quer da arquitectura dos edifícios, à bela decoração dos estabelecimentos comerciais, à maneira de vestir dos franceses e francesas, à gastronomia e, sobretudo, à riqueza das obras de arte guardadas em museus e igrejas.

Do Museu do Louvre ao Museu Picasso, do Museu do Arco do Triunfo ao Centro Georges Pompidou, de Versailles ao Museu das Bonecas, em todos entrámos para admirarmos a arte neles guardada.

Mas nas igrejas encontram-se preciosidades de valor incalculável e de significado profundo, por serem o reflexo da crença de um povo.

Todos os monumentos são pedaços de história real ou imaginária, associados aos que os desenharam e edificaram.

Exemplo disso é a história do Sacré Coeur associada à invasão de Hitler, assim como o famoso romance de Vitor Hugo, “O Corcunda de Notre-Dame” que tornou conhecida, em todo o mundo, a célebre Catedral, escrito em 1831, quando o monumento estava em adiantado estado de degradação.

Este grandioso romance não perdeu actualidade pois muitas vezes tem sido adaptado para cinema, até numa longa-metragem animada da Disney, ou como comédia musical.

Depois de denunciar os atropelos e abandono a que tão prodigioso monumento estava condenado, Vitor Hugo conseguiu chamar a atenção dos responsáveis e Notre Dame foi restaurada, como merecia, em 1845.

O objectivo do escritor fora alcançado.

Na sua obra, a fantasia prevalece e os seus leitores continuam a idealizar a Catedral habitada pelos fantasmas de Esmeralda, do corcunda Quasimodo e de Frollo.

No passado dia 15 de Abril, tanto os franceses, como todo o mundo, se arrepiaram ao ver, em directo, nas televisões, a queda do Pináculo mais alto da grandiosa Catedral de Notre-Dame de Paris.

Centenas de jovens franceses demonstraram ao mundo que, mais forte que a admiração pelas pedras, pelas madeiras da construção ou pelas ricas obras de arte nela guardadas, é o seu amor a Maria, a Virgem Mãe de Deus, que veneram e a quem ergueram as vozes, cantado “Avé Maria” frente à Catedral, destruída pelas chamas implacáveis.

A Catedral de Notre-Dame faz parte do conjunto arquitectónico das margens parisienses do rio Sena, considerado Património Mundial da UNESCO em 1991.

Notre-Dame sofreu nas suas entranhas, a dor da destruição.

Mas os homens, em união, tudo farão para que se erga de novo e continue sendo o ícone da religiosidade e da arte francesa.