Nuno Mocinha garante que “só o superior interesse dos Elvenses” pode mudar as suas pretensões

Cerimónia militar da Batalha das Linhas de Elvas
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Tiveram lugar na manhã desta quarta-feira, 14 de Janeiro, as comemorações dos 356 anos da Batalha das Linhas de Elvas tendo como ponto alto as cerimónias militares e militarizadas, presididas pelo Tenente General António Xavier Menezes, que decorreram na Praça da República e na Rua da Cadeia, com a presença de centenas de pessoas.

As cerimónias comemorativas começaram logo pela manhã cm o hastear das bandeiras, com a presença da Banda 14 de Janeiro, seguindo-se depois a cerimónia de homenagem aos Mortos, com a deposição de flores no Padrão da Batalha das Linhas de Elvas e a deposição de flores no túmulo do General André de Albuquerque Riba-Fria, no Convento de São Francisco.

Depois foi tempo para a parada militar e militarizada, na Praça da República, onde ocorreram os discursos oficiais alusivos à cerimónia.

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O presidente da Câmara Municipal de Elvas (CME), Nuno Mocinha, lembrou a importância da Batalha das Linhas de Elvas na Guerra da Restauração – em Janeiro de 1659 -, e disse ter sido um feito “heróico dos elvenses” que “foi determinante para o triunfo de Portugal, na conservação da sua independência e na manutenção de uma das fronteiras mais antigas em território europeu”.

O autarca lembrou também que os elvenses de há 356 anos nos “deram um ensinamento importante: perante as dificuldades, por maiores que sejam, temos de tomar decisões, ainda que difíceis e arriscadas, para sermos capazes de alcançar os objectivos colectivos fundamentais”.

Noutro passo do seu discurso Nuno Mocinha abordou os problemas “neste novo século”, referindo que eles “estão especialmente colocados em problemas sociais, que resultam de situações com origem nas áreas da Economia e das Finanças” mas quer crer que “o exemplo de 1659 deve perdurar nas nossas mentes” e sobretudo refere que “não podemos deixar diminuir-nos pelos riscos e dificuldades, quando a finalidade é alcançar um futuro melhor para todos nós”.

Prosseguiu lembrando 2014, sobretudo o período de grande instabilidade por que o município passou, em pleno verão, e considerando que “o ano de 2014 não foi fácil” dirigiu-se aos elvenses dizendo que “sempre vos falei com sinceridade, sem esquecer os problemas; mas nunca vos escondi que acreditava numa solução”.

O edil aproveitou o momento para reafirmar o propósito de se manter fiel à sua pretensão inicial: “não me demitir, assegurar as condições de governabilidade da Câmara Municipal e levar o mandato até ao fim” e garante que só o superior interesse dos elvenses poderia mudar tais pretensões.

Discurso na íntegra:
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A Batalha das Linhas de Elvas foi travada em 1659 e constituiu uma das páginas mais marcantes da História deste concelho, tanto assim que a data de 14 de janeiro foi escolhida para Feriado Municipal.
Há 356 anos, estávamos na Guerra da Restauração, que se seguiu ao 1º de Dezembro de 1640.
Com o distanciamento temporal que a História nos permite, sabe-se hoje que a Batalha das Linhas de Elvas foi uma das mais importantes da guerra de então.
O mesmo é dizer que o espírito heroico dos Elvenses foi determinante para o triunfo de Portugal, na conservação da sua independência e na manutenção de uma das fronteiras mais antigas em território europeu.
Elvas, pela sua posição geográfica e importância militar, durante séculos, foi defendida por grandes guarnições e protegida pelas mais modernas técnicas de construção.
Ainda hoje, felizmente, o Centro Histórico, o Castelo, as Muralhas Seiscentistas, os Fortes da Graça e de Santa Luzia e os Fortins apresentam um fantástico conjunto arquitetónico, autêntico e bem conservado, que valeu a classificação de Património Mundial, há dois anos e meio, atribuída à Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações.
Os Elvenses, em 1659, tomaram uma decisão histórica: diante de um cerco militar, que estava a matá-los a pouco-e-pouco, decidiram combater – a única maneira encontrada para terminar com o aprisionamento das suas gentes e possibilitar um triunfo glorioso, que foi tão importante para Portugal.
Há mais de 350 anos, os Elvenses deram-nos um ensinamento importante: perante as dificuldades, por maiores que sejam, temos de tomar decisões, ainda que difíceis e arriscadas, para sermos capazes de alcançar os objetivos coletivos fundamentais.
Bem sabemos que, neste novo século, os problemas estão especialmente colocados em problemas sociais, que resultam de situações com origem nas áreas da Economia e das Finanças.
Ainda assim, o exemplo de 1659 deve perdurar nas nossas mentes: não podemos deixar diminuir-nos pelos riscos e dificuldades, quando a finalidade é alcançar um futuro melhor para todos nós.

Elvenses.
O ano de 2014 não foi fácil.
Sempre vos falei com sinceridade, sem esquecer os problemas; mas nunca vos escondi que acreditava numa solução.
A meio do ano passado, o executivo da Câmara Municipal de Elvas foi abalado por sérios problemas internos.
Neste momento, quero agradecer a todos aqueles que me apoiaram nesse período difícil.
Na altura, informei a população deste concelho que a minha pretensão era:
– não me demitir;
– assegurar as condições de governabilidade da Câmara Municipal;
– e levar o mandato até ao fim.
Só o superior interesse dos Elvenses poderia mudar tais pretensões.
Hoje, não vejo necessidade de alterar nenhuma destas três decisões, pelo que deixo claro aos Elvenses que prossigo nas funções para que fui eleito, com o apoio de autarcas do Município e de centenas de colaboradores da Câmara Municipal e Juntas de Freguesia do concelho.

Minhas senhoras e meus senhores:
O ano passado foi também de normalidade, em termos de continuação do trabalho desenvolvido:
– ficou pronta a nova entrada de Elvas, com o prolongamento da Avenida de Badajoz, entre o Aqueduto e as Piscinas Municipais;
– foi assinada a cedência, à Câmara Municipal, de dezenas de prédios militares;
– prosseguimos a recuperação de prédios, destinados a habitação, no Centro Histórico;
– e começou a obra de recuperação do Forte da Graça.
Com a mesma abertura com que vos disse que 2014 foi um ano difícil, não vos escondo que, neste Ano Novo de 2015, vamos ter a continuação das dificuldades.
O panorama europeu não tem sido favorável, nem se prevê que seja neste ano; e a situação económica em Portugal não permite admitir que este ano seja menos mau.
Desta conjuntura, ressente-se o concelho de Elvas, onde eu só vejo uma maneira de podermos aliviar as dificuldades: investimento, que possa gerar postos de trabalho, capazes de diminuir o desemprego e aumentar a circulação de dinheiro na economia elvense.
Tal vai ser possível?
Acredito que sim!
Por essa razão, tenho multiplicado os contactos com empresários de ramos distintos de atividade e tenho desenvolvido dezenas de ações de diplomacia económica, junto de embaixadas de diversos países em Lisboa.

Do que depende direta e exclusivamente da Câmara Municipal, posso referir algumas medidas que estão em vigor para este ano:
– manter a política fiscal da Câmara, ressalvando que a Derrama diminuiu;
– aumentar de 75 para 80 por cento, a comparticipação municipal no pagamento das despesas com medicamentos aos portadores do Cartão da Idade de Ouro;
– e para a atribuição deste cartão, o rendimento máximo mensal per capita, a considerar, foi aumentado de 500 para 550 euros;
– para os mais novos, criação de programas de Formação Ativa e de um cartão Smart Jovem;
– e isenção do pagamento das Universidades Seniores e reforço do funcionamento destas, nas localidades rurais do concelho, com aulas de ginástica e hidroginástica.
Por outro lado, a Câmara Municipal de Elvas vai continuar a fazer investimento:
– na recuperação do Forte da Graça, uma obra muito importante que desejamos ver concluída este ano;
– na recuperação de mais habitações no Centro Histórico; – na recuperação e valorização de prédios militares;
– na transformação de Elvas como cidade mais acessível e como um concelho de melhor eficácia energética;
– no reforço do conceito de Eurocidade, com municípios dos dois lados da fronteira;
– na consolidação da classificação de Elvas Património Mundial; – na integração nas Smart Cities, através do projeto “Elvas Inteligente”;
– na manutenção dos apoios ao movimento associativo do concelho e às sete Juntas de Freguesia;
– na continuidade do reforço das condições de atratividade empresarial de Elvas, através da já referida diplomacia económica;
– e na consolidação do Mapa de Pessoal e requalificação do pessoal da Câmara Municipal.

Como qualquer outro presidente de Câmara Municipal, deste ou de outro concelho, a minha realização plena seria a resolução dos principais problemas de cada um dos residentes no município. Reconheço que tal não é atingível.
Mas também tenho a noção que resolver muitas dessas dificuldades não é tarefa exclusiva da Câmara Municipal.
Quem pensar que o Presidente da Câmara, sozinho, resolve os problemas do concelho, está enganado e a pensar mal.
Quem ficar parado, à espera que a Câmara Municipal lhe resolva todas as dificuldades, não pode ter êxito.
É necessária iniciativa, vontade de fazer, saber aproveitar as oportunidades, ter ideias, esforçar-se e ser dedicado.
Por isso, deixo aqui uma palavra de reconhecimento, para todos os empresários do nosso concelho, que abriram novos estabelecimentos nos últimos meses, ou que se preparam para outras aberturas em breve.
Felizmente, têm sido dezenas de novos empreendimentos, uns maiores que outros, como é natural, mas todos igualmente importantes para a revitalização da economia local.
Elvenses. Esta tarefa de dar vida nova ao setor económico não pode ser atribuída apenas à Câmara Municipal, ficando a população de fora, a ver o que se faz. Cada um tem o seu papel. Uns mais visíveis que outros, mas todos de grande importância. Uma das lições que nos ficaram da Batalha de 1659 é que as grandes vitórias nunca podem ficar a dever-se apenas a uma pessoa. Claro que há 356 anos houve hierarquias: generais, oficiais, soldados e povo anónimo. Mas quando dizemos que Portugal venceu a Batalha das Linhas de Elvas, temos de reconhecer que o feito histórico só foi possível porque todos se empenharam no mesmo sentido.
É esta mobilização coletiva que Elvas precisa, especialmente nesta fase complicada. A cidade e o concelho só podem avançar e progredir, com a dedicação de todos! Este deve ser um lema que aconselho para servir de base ao nosso dia-a-dia, neste ano de 2015. Por isso, o Presidente da Câmara Municipal de Elvas lança-vos um desafio: – Vamos em frente! Mas esta decisão tem um imperativo:
– Temos de ir todos juntos!

Viva Elvas!
Vivam os Elvenses!
Viva Portugal![/blockquote]