Santuário de Fátima, 12 de Maio 2020
Foto: Arlindo Homem/Ecclesia
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Opinião de Graça AmiguinhoQuem imaginaria, um dia, ver a Praça de S. Pedro, em Roma, na maior festividade celebrada pelo mundo Católico, a Páscoa, com toda sua magnânima grandeza, tão solitária e vazia?

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Apenas, Sua Santidade, o Papa Francisco, um idoso e debilitado, fisicamente, acompanhado com um número escasso de pessoas, assumiu sobre si, a responsabilidade de rezar e unir os Cristãos, num gesto de humildade e fé!

O mesmo se passará, este ano, no recinto das Aparições de Nossa Senhora, em Fátima, local onde, desde 1917, se juntam multidões, vindas de todos os cantos da terra, em oração e comunhão com os portugueses, na sua devoção a Maria, Mãe Imaculada, Senhora da Azinheira, Senhora dos Pastorinhos!

Os peregrinos habituais, os que percorrem, durante dias, a pé, debaixo de sol, de chuva e de frio, os caminhos que vão dar a Fátima, não o puderam fazer este ano, porque uma pandemia implacável, espreita por todo o lado, o momento propício para atacar, infernizar e matar.

Em todas as épocas surgiram calamidades, em todos os tempos de que há memória, a Terra foi devastada por intempéries, pestes e guerras.

Em pleno século XXI, quando a humanidade pensava ser senhora de grandes conhecimentos e dominadora de novas tecnologias, eis que surge um surto epidémico que deita por terra todas as convicções de poder e mostra ao “homem”, as suas fragilidades, as suas limitações, perante um universo imensamente minúsculo, insondável, implacável e repleto de mistérios.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Pior do que uma guerra, pior do que um terramoto, pior do que um tsunami, é este ser invisível, desconhecido, que espalha o medo entre as gentes, a desconfiança, a incerteza, a pobreza, a fome e a morte.

Atacou tudo e todos. Os homens de negócios, os trabalhadores, todas economias mundiais acusam os resultados negativos, provenientes das medidas de precaução para que, o COVID-19, não atinja um grau de transmissão, impossível de conter.

Os que nunca pararam as suas actividades, porque delas depende a sobrevivência de todos nós, acusam o cansaço, proveniente da ansiedade, do receio de poderem ser, também, contagiados, a qualquer momento.

E muitos já pagaram com a vida, a sua dedicação ao bem – comum.

Se os homens não nos podem valer, a quem poderemos recorrer?

Há, dentro de cada um de nós, um desejo de infinito e uma convicção de que Alguém, superior a nós, nos protege nas horas de aflição e dor e, sem quase nos apercebermos, erguemos as mãos aos céus e pedimos forças e inteligência para ultrapassarmos as dificuldades e sairmos delas, vencedores.

Nesta hora, em que tantos devotos de Nossa Senhora de Fátima se unem em oração, cada qual no seu lar, peçamos a intercessão da Virgem Maria para que ilumine os cientistas que estudam, com tanto entusiasmo, a descoberta de uma vacina que possa defender a humanidade, deste vírus terrível.

Depositar confiança em Nossa Senhora de Fátima, é meio caminho andado para não perdermos a esperança de que as nossas vidas voltarão a ser, o que eram. Os jovens voltarão às suas escolas, os professores darão as suas aulas, os trabalhadores poderão regressar aos seus locais de trabalho, e nós, idosos, poderemos sair, passear, apanhar sol, viver os dias que nos restam com alegria e paz, vendo à nossa volta, os outros, felizes, repartindo com eles, beijos e abraços!