Fig1 - O céu de Abril
Fig1: O céu virado a Norte, às 21:30 do dia 15 de abril de 2019, com destaque para as constelações da Ursa Maior e Ursa Menor. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)
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Neste Abril dizemos adeus à constelação de Orion, que nos acompanhou durante todo o Inverno. A constelação vai ficando cada vez mais baixa e no final do mês já vai estar rente ao horizonte, ao anoitecer. Por isso, aproveitem para a observar a Sudoeste ao anoitecer, logo no início do mês.

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Quanto a planetas, Marte está visível ao anoitecer a Oeste, enquanto Júpiter e Saturno podem ver-se antes do amanhecer, a Sul. Mas em Abril Júpiter fica cada vez mais tempo visível, nascendo às 2 da manhã no início do mês, enquanto no final de Abril já se começa a ver à meia-noite.

Dia 5 a Lua atinge a fase de lua nova e dia 9, um fino crescente passa a 7 graus do planeta Marte, na constelação do Touro. Dia 12 a Lua está em quarto crescente.

No dia 15, ao anoitecer, procurem as ursas (maior e menor) viradas a Norte, pois nesta altura a Ursa Maior está bem alta no céu. A história das ursas começa com Zeus a seduzir a ninfa Calisto. Para impedir que a sua mulher Hera se vingasse desta, Zeus transformou Calisto numa ursa parda. Nesse mesmo dia, o filho de Calisto, Arcas, andava à caça e atingiu a própria mãe com uma flecha, que ao morrer reverteu à forma humana. Arcas gritou para amaldiçoar Zeus, que com receio que a sua esposa percebesse o que tinha acontecido, transformou novamente Calisto em Ursa e colocou-a no céu. De seguida transformou Arcas numa ursa menor e enviou-o também para o céu.

Fig2: O céu de Abril
Fig2: O céu virado a Sul, às 05:30 do dia 25 de Abril de 2019, com a Lua entre Saturno e Júpiter. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)

É na ponta da cauda da Ursa Menor que encontramos Polaris, a Estrela Polar, usada desde tempos imemoriais para orientação.

Dia 19 é dia de lua cheia. Apenas dois dias depois, na madrugada de 21 para 22 de Abril, ocorre o pico da “chuva” de meteoros das Líridas. No pico, o número de meteoros por horas deve rondar os 18, mas esta é uma chuva com máximo variável, que pode chegar até aos 90 meteoros por hora e produz a ocasional “bola de fogo”. Infelizmente estas serão dos poucos meteoros visíveis este ano, pois a Lua quase cheia ilumina demasiado o céu para se conseguir ver as menos ténues.

Dia 23 a Lua passa a 3 graus de Júpiter e no dia 25, para comemorar 45 anos da revolução dos cravos, a Lua passa a 5 graus do planeta dos anéis, Saturno. Procurem este trio no céu antes do amanhecer.

Finalmente, dia 26 a Lua atinge o quarto minguante.

Boas observações.

Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva