Portas-de-São-Vicente, Elvas
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Opinião de Risoleta C Pinto PedroRegresso a Agostinho da Silva e ao livro mais recentemente publicado, Vida Conversável, onde, na página 213 diz:

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«Juntamente com a invasão do Direito Romano vem essa outra, anticristã, a de emprestar dinheiro a outro para que ele governe a sua vida, o que se podia fazer perfeitamente, mas sem cobrar juro».

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Risoleta C Pinto Pedro
Natural de São Vicente e Ventosa, Risoleta C Pinto Pedro é Escritora nas áreas do romance, novela, conto, poesia, teatro, crónica periodística e radiofónica! É membro do Gabinete de Estudos Agostinho da Silva e do Projecto António Telmo!

Nada mais actual. Toda a gente sabe do que falo. Exemplos não escasseiam.

O filósofo professor Agostinho da Silva sempre teve uma relação livre com o dinheiro. Quanto menos houvesse dentro do seu bolso, melhor. Tudo o que recebia era empregue para financiar projectos em que ele nada ganhava, para além da satisfação moral de ser útil, sendo que nem esse reconhecimento gostava de ter como paga. No entanto, passou a vida a pedir dinheiro para a criação de obras, todas com uma forte componente de cultura, serviço, generosidade, espiritualidade, para dar corpo a ideais gerais e totalmente desinteressados. Elvas - S. Vicente e VentosaCuriosamente, houve sempre mecenas que, respeitando-o e confiando completamente na sua seriedade, estiveram dispostos a custear estas empresas onde nada lucravam, nem sequer em publicidade. Muito teria a aprender, actualmente, a lei do mecenato com estas experiências. Por outro lado, o pouco dinheiro que recebia era, também, colocado ao serviço dos ideais, ou para custear estudos de estudantes pobres, e afins. Era um homem livre, nascido sob o signo de Aquário.

Avô José Pinto
Avô José Pinto

Por isso, quando li esta passagem, lembrei-me de um outro homem, muito importante na minha vida, também ele nascido sob o signo de Aquário, meu avô José  Francisco Pinto. O cenário onde aconteceu o que vou contar foi S. Vicente e Ventosa, concelho de Elvas. Não era rico, mas não vivia com dificuldades, tinha terra, padaria e casas, onde investira bens e trabalho. Como era um homem muito sério e respeitado, e na altura não havia bancos nas aldeias, as pessoas confiavam-lhe o seu dinheiro a guardar e outras pediam-lhe dinheiro emprestado, ao que ele podendo, acedia, sem juros. Era um serviço social totalmente desinteressado. Sempre, na família, ouvi falar disto. Há uns anos tive a sorte de receber, juntamente com livros, alguns dos seus blocos e agendas onde pude confirmar isso através das suas informais, mas rigorosas anotações. Dali constam os nomes das pessoas que, certamente, já cá não se encontram, mas cuja identidade prefiro, por pudor, guardar em recato. Todos partiram já, e na memória ficou um tempo, numa aldeia raiana do Alentejo, onde houve um homem em quem era possível confiar.