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O Festival Eurovisão da Canção

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Depois de um grande espetáculo televisivo restou-nos a desilusão.

A vida tem destas coisas. Só quem não arrisca não se sujeita a ganhar ou a perder.

Trezentos e sessenta e cinco dias são muito tempo e hoje, mais do que nunca, tudo se torna passageiro e fora de moda.

O que ontem era seguido como padrão, amanhã é arrumado e substituído irremediavelmente.

Apesar de, na minha modesta opinião, já ter divulgado que não era apreciadora da música que Portugal ia apresentar no grande certame, depois de ouvir as representações dos outros países, cheguei a sentir a breve ilusão de que o nosso «Jardim» poderia ter alguma hipótese no meio de tanta confusão e barulho.

Mas enganei-me redondamente. A canção vencedora conseguiu ultrapassar em mensagem, imagem e ruído todas as outras por ser a antítese do padrão convencional

Uma figura bonita, elegante, bem trajada, era o garante de sucesso mais fácil, mesmo que o conteúdo da música e da letra pudesse, eventualmente, ser vazio.

Hoje, pelo que presenciamos, os tempos e os conceitos estão em mudança, talvez como sintoma de alguma revolta e desejo de afirmação de quem até aqui foi marginalizado.

A canção de Israel é, no seu todo, um grito de revolta, feminista, uma crítica à discriminação, um desejo bem forte de fazer mudar o que está socialmente errado e tem sido imposto como regra impune e indiscutível.

Desde a forte personalidade da intérprete ao seu aspecto físico, desde o exagero de colorido das suas vestimentas que ela sabe não lhe ficarem bem nem a favorecerem, à exuberância dos acessórios, tudo foi pensado para chamar a atenção pela negativa e se salvar a força da letra escolhida.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Claro que muitos de nós não achamos graça nenhuma à encenação, ao ruído, mas as gerações mais novas que vivem problemas e situações idênticas, mostraram claramente que apoiavam tal intervenção.

Lamentável é o que lemos em certos meios de comunicação, elitistas e xenófobos, que passam para a agressão psicológica da intérprete, denegrindo a sua imagem, e até, atacando-a politicamente, o que ainda é mais vergonhoso.

E se pensarmos que ela é a representante de um povo cansado de estar subjugado a uma tradição arcaica e machista e não uma servidora pacata de um regime onde a mulher ainda é menosprezada?

Que importa que a cantora vencedora seja gordinha? Tem um estilo musical muito próprio e tenta impôr-se pela diferença de estilo.

Há quem lhe atribua o sucesso a ligações à política americana por ter logo escolhido Jerusalém para o próximo festival.

Só quem não conhece a história do povo judeu, não entende o que representa essa cidade para eles. Não é pelo facto dos EUA terem para lá mudado a sua embaixada.

Jerusalém é a cidade «santa» para todos os descendentes de Abraão, Isaac, Jacob, tanto Israelitas como Palestinianos e, no mundo Católico, é um dos poucos lugares do mundo, considerado «sagrado».

Nem todos somos obrigados a gostar do mesmo, mas as pessoas diferentes, as pessoas que com o seu trabalho e inteligência se impõem, merecem ser respeitadas.

Seria bom de mais Portugal ter este ano a felicidade alcançada no ano anterior. Haverá quem atribua o insucesso à canção, às intérpretes, mas o certo é que outras canções com muita qualidade, também não conquistaram o lugar merecido.

Ganhou, acima de tudo, Portugal, pela grande eficácia da organização do evento, ganhou Portugal pela divulgação do que de melhor temos, levando ao mundo imagens maravilhosas do nosso país!

De novo, Salvador Sobral mostrou a sua versatilidade, a sua simplicidade e a forma de tornar eternos momentos de vida em palco.

O futuro já começou!

Que venham mais músicos, compositores, letristas e cantores animar o panorama artístico musical português, pois enquanto os jovens se divertem com música é um bom sinal e haverá sempre novas oportunidades de afirmação da nossa identidade.

Tanto procurei que encontrei a tradução da canção vencedora –  TOY

Brinquedo – Por Netta Barzilai

Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá

Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá

Olha para mim, sou uma criatura linda
Não me importo com a tua pregação moderna
Sejam bem-vindo meninos, barulho de mais, vou ensinar-lhes
Pám pám pá hu, turrám pám pá hu

Ei, acho que te esqueceste de como jogar
O meu urso de peluche está a fugir
A Barbie tem algo a dizer
Hey

Ei! O meu rei manda que me deixes em paz
Levo o meu Pikachu para casa
És estúpido, como o teu smartphone

Mulher Maravilha, nunca te esqueças
De que és divina e ele está prestes a arrepender-se
É um rapaz có-có-có-có, có-có-có-có
Có-có-có-có, có-có-có-có
Não sou o teu có-có-có-có, có-có-có-có

Não sou o teu brinquedo (o teu brinquedo, não)
Rapaz estúpido (rapaz estúpido)
Agora vou derrubar-te, fazer-te assistir
A dançar com as minhas bonecas ao ritmo do cululi
Não sou o teu brinquedo (cululi, cululu)

Nã-nã-nã-não sou boneca
Nã-nã-nã-não sou boneca

(Cululi, cululu) Sinos de casamento a tocar
(Cululi, cululu) Homens do dinheiro bling-bling
Não me importo com o teu dinheiro, rapaz
Pám pám pá hu, turrám pám pá hu

Mulher Maravilha, nunca te esqueças
De que és divina e ele está prestes a arrepender-se
É um rapaz có-có-có-có, có-có-có-có
Có-có-có-có, có-có-có-có
Não sou o teu có-có-có-có, có-có-có-có