Almofariz
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Muitos conhecerão a lenda do Graal e os cavaleiros da Távola Redonda, do ciclo da Bretanha. Nós temos algo bastante aproximado que é o Amadis de Gaula, a que alguns estudiosos, nomeadamente o grande Jaime Cortesão (sogro do gigante Agostinho da Silva) atribuem autoria nacional. Do melhor que se escreveu no âmbito do ideal de cavalaria.

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O cavaleiro era possuidor de virtudes como a hombridade, a coragem que passava pela superação até ao sacrifício, o respeito pela mulher, a fidelidade ao amor e à Pátria… Quanto aos cavaleiros da Távola Redonda, têm eles como missão encontrar o Graal, a taça por onde Cristo bebeu na ultima ceia. Logo, tem o Graal uma origem cristã, mas há quem lhe atribua um fundo mais antigo e há quem relacione a busca do Graal com mitologia pagã, nomeadamente celta. Isto é um assunto que me confunde, porque não me parece que exista uma, grande relação céltica com o Alentejo, local onde de menina me lembro de ouvir chamar mãe e avós, ao almofariz, o graal. Para mim, desde sempre, um graal foi um utensílio onde se esmagam alhos e coentros à mistura com sal, exactamente como na alquimia e na espagíria.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Risoleta C Pinto Pedro
Natural de São Vicente e Ventosa, Risoleta C Pinto Pedro é Escritora nas áreas do romance, novela, conto, poesia, teatro, crónica periodística e radiofónica! É membro do Gabinete de Estudos Agostinho da Silva e do Projecto António Telmo!

Não o associo, nem ao vinho da última ceia nem ao sangue recolhido da cruz, embora também tudo isso esteja repassado de alquimia. O sangue do ser mais bondoso que já passou pelo planeta é o vinho da comunhão, quer para o crente na missa, quer para aquele que não praticando uma religião, honra e celebra e agradece o que a Natureza dá.

O que é curioso nisto tudo é que o Graal, para além do seu sentido cristão, é também encarado, na mitologia, como a taça capaz de conferir melhor sabor ao que contém.

E eu não conheço melhor forma de melhorar o sabor de um alimento que não seja uma mistura alquímica de alho, sal e coentros triturados num laboratório de espagíria, digo, numa cozinha alentejana de avós, o que explica completamente que a minha mãe e a mãe dela e a mãe da mãe dela e por aí fora, e eu própria, não encontremos termo mais adequado para designar o almofariz.

Voltarei a este assunto.

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Risoleta C Pinto Pedro
Risoleta C. Pinto Pedro nasceu em S. Vicente e Ventosa, Elvas. Vive em Lisboa, foi professora de língua e literatura numa escola de ensino artístico e é escritora nas áreas do romance, novela, conto, poesia, teatro, crónica periodística e radiofónica (“Antena 2") , ensaio, cantata, ópera, musical, canção (libretos para os compositores Jorge Salgueiro e Paulo Brandão), alguns posteriormente editados em BD e CD. Excluindo parcerias e colectâneas ou revistas, tem, a título individual, vinte e duas publicações, sendo as mais recentes: Mater, Útero de Romã; O sol do Tarot de Sintra; Happy Meal, Manjar Sentimental (ficções), Cantarolares com Sabor Azul (poesia), Àvida Vida (poesia) A Literatura de Agostinho da Silva, essa Alegre Inquietação e António Telmo, Literatura e Iniciação (ensaios). Prémios: poesia pela SLP; na narrativa: A Criança Suspensa, Prémio Ferreira de Castro; e O Aniversário, Prémio APE. É membro do Gabinete de Estudos Agostinho da Silva e do Projecto António Telmo, cujas obras vem estudando e sobre as quais vem escrevendo e fazendo palestras. Prepara, em parceria, a biografia de António Telmo.