Início Opinião Graça Amiguinho O meu São Valentim

O meu São Valentim

COMPARTILHE

Não lhe conhecia o nome mas, certamente, ele esteve sempre perto de mim pois o meu namoro foi abençoado desde o princípio e espero que o seja até ao fim.

Sim, digo até ao fim, porque, passados 49 anos de casamento e 10 de namoro, continuo olhando para o meu companheiro de vida com o mesmo encanto do primeiro dia em que o vi.

Quando conto a minha história de amor há quem pense que é apenas mais uma história inventada.

Mas, para os que me conhecem, é uma linda história e bem real.

Na minha Aldeia cedo se escolhia o amor para uma vida inteira. Mas eu fui na dianteira e ainda criança o escolhi, o bem tratei, o conquistei e fiz da nossa vida uma eterna melodia cheia de amor recheada com o encanto da poesia.

Só tínhamos olhos um para o outro. Não havia nada que mais nos alegrasse para além dessa profunda comunhão de ideais, desse construir de sonhos, pensando num futuro vivido a dois.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Muitas amizades connosco se cruzaram, muitas incertezas às vezes nos atormentaram mas, como o amor era uma pérola preciosa que no mais íntimo dos nossos corações guardávamos, nunca nada perturbou o nosso caminho.

Nesse tempo, há mais de meio século, o namoro era uma preparação para o matrimónio, na verdade.

Embora o desejo de uma união mais profunda existisse, também existia o conceito de que a plenitude dessa união só seria consumada após o casamento.

Nós aceitámos sempre com humildade e respeito essa regra. Isso nos incentivava a sonhar o que seria a grandeza de uma entrega total.

Hoje, os comportamentos entre namorados, são muito diferentes e, talvez por haver uma liberdade tão grande, haja também a perca do respeito do outro, o desvalorizar da intimidade, a banalização da relação sexual.

Mas, se a sociedade atual apenas ficasse pelo uso excessivo de liberdade, não teríamos estatísticas alarmantes de violência no namoro como são divulgadas.

Algo anda muito mal no pensamento das pessoas.

Penso ser hora de repensar a educação sexual como uma prioridade nas escolas, visto as famílias demonstrarem incapacidade para orientar os seus filhos.

Se não forem dadas orientações desde a infância, teremos mais e mais casos de violência resultantes da falta de princípios morais interiorizados na mente de cada um.

Perante esta calamidade não há São Valentim que nos valha! Será preciso um exército de santos para tocar nos corações empedernidos e conspurcados.