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O povo português e as touradas

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©Elvasnews/Arquivo

Se o povo português fosse chamado a dar a sua opinião sobre a continuação desta tradição, ou a sua extinção, arrogo-me a dizer que, uma maioria, defenderia a continuidade da Festa Brava.

Não por saudosismo ou masoquismo, mas porque as touradas fazem parte da nossa cultura, sendo um espectáculo de glamour, destreza e valentia.

Fui criada numa aldeia que tem a sua Praça de Touros desde o Sec XIX. Os meus antepassados eram apreciadores desse espectáculo e admiravam a Arte de Bem Cavalgar, não sendo pertencentes à aristocracia, muito longe disso, pois eram gente do povo mais humilde.

No dia em que havia uma tourada na minha terra, era dia de festa, e todos se vestiam com o seu traje domingueiro para irem assistir à tourada.

Admirávamos a bravura da fera e a elegância e agilidade do cavalo que bem entendia os toques que o cavaleiro lhe dava para reagir, no momento certo.

Sim, chamo fera, ao touro, porque é uma fera, um animal de ataque, um animal selvagem que o homem consegue criar, apenas, montado no seu cavalo e levando consigo um grande aguilhão para o dominar. De outra forma, facilmente seria por ele desventrado.

Admiro a coragem e arte do campino ribatejano.

Não discuto gostos nem filosofias, mas contesto os pretextos de quem se acha defensor dos animais e talvez não olhe, com os mesmos olhos, para os humanos que o rodeiam.

Talvez queiram acabar com uma tradição e implementar outros hábitos que vêm crescendo na sociedade portuguesa-substituir os afectos pelos humanos, pelos afectos, pelos animais.

E disso todos conhecemos casos que, aos nossos olhos, se tornam verdadeiras aberrações.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Poderia mencionar mais alguns, mas não valerá a pena, pois todos os presenciamos em qualquer momento:

  • considerarem um cãozinho ou um gato como pessoa e chamar-lhe, até, «menino ou menina»;
  • permitirem que os animais lambam as caras das crianças quando, muitas vezes, as afastam de um beijo de um familiar idoso;
  • coabitarem com os animais, na sua casa, até na sua cama, quando mandam os familiares idosos para lares, para não lhes tomarem os «cheiros»;
  • gastarem fortunas com comidas sofisticadas com os seus animais de estimação, quando se esquecem que, alguém, a seu lado, sofre privações económicas.

Quem conhece a história universal e os costumes dos diferentes povos que habitam o nosso planeta, sabe bem como certos animais são encarados, de forma diferente, da que é habitual entre nós.

Na nossa cultura seria impensável alguém matar um cão para comer ou criar coelhos só para brincar com eles.

Costumes e tradições ancestrais fazem parte da história dos povos. Bons ou maus, interessantes ou abominantes, só os próprios povos são responsáveis pela sua preservação.

Não consigo entender certos argumentos baseados na psicologia dos animais, e no caso do touro que é levado para a arena, quando alguém diz que estes animais têm «consciência» de que vão ser picados.

Vivemos um tempo em que a liberdade de expressão e a liberdade de opinião são direitos constitucionais, mas, a nossa Constituição dá a todos os cidadãos esses mesmos direitos e não o direito de alguns imporem as suas opiniões, à força, aos outros.

Se o assunto é assim tão importante, quanto alguns o consideram, pois, que seja feito um referendo e saberemos de que lado estão os portugueses.

Temos assuntos tão pertinentes por resolver, neste nosso Portugal, e perde-se tanto tempo em discussões de temas de menor importância.

Vamos à tourada aplaudir a valentia e elegância dos toureiros e forcados e admirar a força do touro que, só a arte do homem, a pode vencer.