O que procuramos em Fátima

Opinião - Graça Amiguinho
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Pelas estradas de Portugal, de norte a sul, há caminhantes que, no seu passo ligeiro, se esquecem das suas limitações naturais e procuram chegar, no tempo certo, ao lugar onde um dia, três humildes crianças, inocentes, guardadoras de gado, crianças reais, não imaginárias, nem criadas por uma mente fértil, nem por uma religião, cujos olhos e ouvidos se aperceberam de algo transcendente, inexplicável, inacreditável, podemos dizer.

Passaram por situações de pressão e interrogatórios que nunca as demoveram de falar do que viram e ouviram.

Coisas que ultrapassam a mente humana, e, por tantas razões, sugerem tão diferentes interpretações.

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Uns acreditam no impossível, outros, apenas no que é palpável. Somos diferentes e temos liberdade para crer no que, muito bem, a nossa mente nos aconselha. Seremos loucos, os que acreditamos em milagres? Talvez!

Serão estes fenómenos compreensíveis apenas para os menos inteligentes e mais humildes? Não! A verdadeira convicção, a compreensão e aceitação de certos fenómenos, não é só privilégio de alguns.

Em 1917, a população portuguesa era maioritariamente analfabeta. Poucos, muito poucos sabiam o que se passava na Europa e no Mundo!

Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918, foi considerada por muitos de seus contemporâneos como a mais terrível das guerras. Por este motivo, tornou-se conhecida durante muito tempo como “A Grande Guerra”. Para se compreenderem os motivos de ter sido uma guerra tão longa e de proporções catastróficas é necessário relembrar alguns aspetos do cenário político e económico mundial das últimas décadas do século XIX.

Na segunda metade do século XIX, a junção entre capitalismo financeiro e capitalismo industrial proporcionou a integração económica mundial, favorecendo assim, principalmente, as nações que haviam começado o seu processo de industrialização. Essas mesmas nações expandiram significativamente o seu território em direção a outros continentes, sobretudo ao Asiático, ao Africano e à Oceânia. A Inglaterra, por exemplo, integrou grandes países ao seu Império, como a Índia e a Austrália. Todo esse processo é tratado pelos historiadores como Imperialismo e NeocolonialismoNesse cenário se desencadearam os principais problemas que culminaram no conflito mundial.

No início da década de 1870, a Alemanha promovia sua unificação com a Prússia e, ao mesmo tempo, enfrentava a França naquela que ficou conhecida como Guerra Franco-Prussiana. Ao vencer a França, a Alemanha passou a ter posse sobre uma região rica em minério de ferro, que foi importantíssima para o desenvolvimento da sua indústria, incluindo a indústria bélica. Tratava-se da região da Alsácia e Lorena. A França, na década posterior à guerra contra a Alemanha, desenvolveu um forte sentimento de revolta, o que provocava uma enorme tensão na fronteira entre os dois países. A tensão se agravou quando Otto Von Bismarck, o líder da unificação alemã, estabeleceu uma aliança com a Áustria-Hungria e com a Itália, que ficou conhecida como Tríplice Aliança. Essa aliança estabelecia tanto acordos comerciais e financeiros, como acordos militares.

A França, que se via progressivamente ameaçada pela influência que era estabelecida pela Alemanha, passou a firmar acordos, do mesmo género da Tríplice Aliança, com o Império Russo, czarista, em 1894. A Inglaterra, que era um dos maiores impérios da época e também se resguardava do avanço alemão e temia sofrer perdas de território e bloqueios econômicos, acabou por se aliar à França e à Rússia, formando assim a Tríplice Aliança ou Tríplice Entente.

A tensão entre as duas alianças se tornou crescente, especificamente em algumas regiões, como a península balcânica. Na região dos Balcãs, dois grandes impérios lutavam para impôr um domínio de matiz nacionalista: o Austro-Húngaro e o Russo. A Rússia procurava expandir a sua ideologia nacionalista eslava (conhecida como Pan-eslavismo) e apoiava a criação, nos Balcãs, do estado da Grande Sérvia, enquanto a Áustria-Hungria se aproveitava da fragilidade do Império Turco-Otomano (que dominou esta região durante muito tempo) e procurava, com a ajuda da Alemanha, estabelecer um controle na mesma região, valendo-se também de uma ideologia nacionalista (conhecida como Pangermanismo). No ano de 1908, a região da Bósnia-Herzegovina foi anexada pela Áustria-Hungria, o que dificultou a criação da “Grande Sérvia”. Além disso, a Alemanha tinha interesses comerciais no Oriente Médio, em especial no Golfo Pérsico, e pretendia construir uma ferrovia de Berlim a Bagdá, passando pela península balcânica.

O rastilho para o conflito entre as duas grandes forças que se concentravam na região dos Balcãs veio com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, por um militante da organização terrorista Mão Negra, nacionalista eslavo. O assassinato do arquiduque ocorreu em 28 de janeiro de 1914, em Sarajevo, capital da Bósnia. Francisco Ferdinando tinha ido a Sarajevo com a proposta da criação de uma monarquia tríplice para região, que seria governada por austríacos, húngaros e eslavos. A sua morte acirrou os ânimos nacionalistas e conduziu as alianças das principais potências europeias, à guerra.Primeira-Guerra-Mundial

O assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, na cidade de Sarajevo, foi considerado o estopim da Primeira Guerra

A Áustria percebeu, neste fatídico acontecimento, a oportunidade de atacar a Sérvia e demolir o projeto eslavo de construção de um forte estado. Sendo assim, Áustria-Hungria e Alemanha deram um ultimato à Sérvia para solucionar o caso do assassinato de Francisco Ferdinando. A Servia negou-se a ceder à pressão dos germânicos e, com o apoio da Rússia, sua aliada, preparou-se para o que veio a seguir: a declaração de guerra por parte da Áustria-Hungria, que foi formalizada em 28 de julho de 1914. Logo a França ofereceu apoio à Rússia, contra a Áustria-Hungria, o que fez a Alemanha declarar guerra contra a Rússia e a França. O conflito logo se expandiu para outras regiões do globo.

A guerra se intensificou, quando o exército alemão, que era o mais moderno da época, rumou em direção à França, passando pelo território belga, que era neutro. Isso fez com que a Inglaterra, aliada da Rússia, declarasse guerra à Alemanha. A partir desse momento, a guerra ganhou proporções cada vez mais catastróficas. As principais formas de tática militar eram a guerra de trincheiras, ou guerra de posição, que tinha por objetivo a proteção de territórios conquistados; e a guerra de movimento, ou de avanço de posições, que era mais ofensiva e contava com armamentos pesados e infantaria equipada.

Ao longo da guerra, o uso de novas armas, aperfeiçoadas pela indústria, aliado a novas invenções como o avião e os tanques, deu aos combates uma característica de impotência por parte dos soldados. Milhares de homens morreram instantaneamente em bombardeios ou envoltos em imensas nuvens de gás tóxico. O ano de 1917 foi decisivo no contexto da “Grande Guerra”. Nesse ano, a Rússia se retirou da frente de batalha, porque o seu exército estava obsoleto e a sua economia arruinada. Foi neste ano também que os revolucionários bolcheviques fizeram sua revolução comunista na Rússia, fato crucial para a efervescência política europeia das décadas seguintes. Foi ainda em 1917 que os Estados Unidos entraram na guerra ao lado da Inglaterra e da França e contra a Alemanha, que já não tinha a mesma força do início da guerra. Sendo que, após o fim da Primeira Guerra em 1918, os Estados Unidos tornaram-se a grande potência fora do continente europeu.

A “Grande Guerra” chegou ao fim, em 1918, com vitória dos aliados da França e grande derrota da Alemanha. O ponto mais importante a destacar-se, quanto ao fim da guerra, são as determinações do Tratado de Versalhes. Nessas determinações, os países vencedores não aceitaram a orientação da Liga das Nações de não submeter a Alemanha derrotada à indemnização pelos danos da guerra. Sendo assim, a Alemanha foi obrigada a ceder territórios e a reorganizar a sua economia tendo em conta o futuro ressarcimento aos países vencedores da Primeira Guerra, sobretudo a França.

O saldo de mortos durante os cinco anos da Primeira Guerra foi de um total de 8 milhões, dentre estes, 1.800.000 apenas de alemães.”

No emaranhado da História da humanidade surgem as Aparições em Fátima, quando uma Senhora vestida de branco, descida dos céus e pousando sobre uma azinheira, pede a 3 inocentes pastorinhos para rezarem pela Paz na Terra!

Em pleno século XXI, a Europa defronta-se com uma guerra infame, com razões que a razão desconhece, verdadeiramente, e que está causando morte, destruição e insegurança em todo o mundo.

As nossas orações voltam-se para a Senhora de Fátima implorando a Paz entre os homens e que o Amor reine em toda a Terra!

É em Fátima que muitos peregrinos encontram a Paz e a Esperança tantas vezes enfraquecidas, nas suas vidas.

Não foi por mero acaso que uma imagem da Virgem de Fátima foi levada para Lviv, na Ucrânia, em 17 de março 2022, como “Mensageira da Paz”.

Que a Paz se torne uma realidade na Ucrânia, massacrada pela guerra!

Ps. (consulta a wikipédia)