Colectânea literária na EuroBEC
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Voltando com o coração cheio de esperança e a alma confiante, iniciarei esta nova época com a citação de um poema de António Gedeão, professor e poeta português, um dos mais notáveis do Séc XX.

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Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Tal como o poeta, a minha vida tem sido recheada de sonhos, ideais que alimentam os meus dias e que o tempo não consegue corroer.

É misteriosa a minha alma, pois parece esquecer o presente, ocupando as horas, pensando no futuro.

E esse amanhã surge sempre com ideias que me seduzem e dão força para continuar uma caminhada que, confesso, não tem sido fácil, nem apenas feita de sucessos e alegrias.

Com os meus alunos concretizei muitos desses sonhos, na minha família tudo dou para que se sinta feliz e hoje, vivo rodeada de amigos que sonham como eu, desejam como eu, construir um mundo melhor, mais justo e fraternal.

Como prova material de que é possível fazer um trabalho de grupo, belo e profundo, eis a nova obra literária e artística, a Colectânea Eurocidade- Badajoz, Elvas, Campo Maior, que reuniu 69 autores, oriundos de vários lugares, com formação académica diferente, mas todos com um sentimento forte e bem vivo que nos uniu- o amor incondicional à terra onde nascemos, à sua história material e imaterial, ao chão que pisamos e admiramos, à nossa gente humilde, mas capaz de grandes feitos.

Cada autor deu o seu melhor contributo para enriquecer essas páginas que ficarão como um marco histórico na realidade que hoje é a EuroBEC.

Todo o sonho se tornou uma realidade delirante e contagiante porque, para que acontecesse, houve sofrimento, solidão, luta e um espírito de solidariedade entre todos, digno de louvor!

A obra será lançada no próximo dia 14/9, às 15h, no Pavilhão Multiusos de uma linda aldeia, tão branquinha e asseada, que dá gosto nela viver ou a ela voltar, sempre que posso- Santa Eulália, Elvas, a minha terra-natal, da qual me orgulho e que tenho sempre presente na minha memória e no meu coração.

Será um grandioso momento de Festa que reunirá num almoço mais de 100 pessoas, autores, familiares e amigos. Outros convidados, assistirão também, a esta tarde de expressão cultural e artística, com um programa recheado de encanto, com canto, poesia, teatro e dança.

A entrada é livre e aberta a todas as idades! Portanto, prezado leitor, considere-se também um dos nossos convidados!

A abertura será feita com este poema meu, musicado por mim, com arranjos de um jovem amigo, músico, cantado por Berta Miranda, uma força da natureza que nos encanta na sua singeleza, com uma voz maravilhosa e bailado por uma grande bailarina espanhola, Manuela Sanchez, trazida até nós pelo grande fadista elvense, Jorge Góis, que nos dá também, a honra da sua colaboração, poema que traduz toda a filosofia da Colectânea Eurocidade:Colectânea eurocidade