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Muito se tem dito e escrito sobre este cidadão português a quem devemos o melhor de todos os bens sociais – a Liberdade!

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Lutou por ela desde a sua juventude com o entusiasmo que só os grandes guerreiros conhecem. Lutou porque ela andava perdida, espezinhada, maltratada e usada por uma minoria insensível. Todos sabemos o seu percurso de vida desde as masmorras da prisão até ao exílio. Nunca abandonou a missão que abraçou, custasse o que custasse, doesse o que doesse. Só grandes almas são capazes de cumprir o seu ideal. E este português era dono de uma grande alma que a minha geração e as gerações vindouras jamais poderão esquecer.

Sou uma cidadã comum, anónima. Nunca fui filiada no Partido Socialista, não era preciso. Isso não faria de mim uma melhor socialista. Apenas me cruzei uma vez, num comício, com este grande senhor! E não me esqueci da sua simpatia e simplicidade no contacto com o povo que o rodeava e queria abraçar!

E não foi, na verdade, preciso estar perto dele fisicamente para assimilar e compreender a grandeza dos seus ideais, a persistência do seu querer fazer bem ao povo, a sua entrega sem reservas na defesa dos mais altos valores da humanidade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade!

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Foi sempre com todo o interesse que segui os seus debates no parlamento ou em comícios e entrevistas e, através deles, fui descobrindo no homem, no cidadão, no idealista, no estadista, a sua capacidade extraordinária de fazer pontes e conseguir consensos, o respeito que nutria pelos seus adversários, a frontalidade das suas opiniões, a lucidez do seu raciocínio, a força das suas palavras.

Nunca omitiu as suas convicções. Sempre se afirmou laico mas respeitador e profundo conhecedor das religiões. Chegou a afirmar, tal como o Papa Francisco, a quem muito admirava, que se Jesus vivesse neste tempo seria também um socialista.

Homem de carácter forte sabia ser humilde e dar a mão à palmatória quando era preciso reconhecendo as suas limitações. Alegre e divertido, sempre soube conviver com o povo que canta e dança nas festas populares.

O seu exemplo de homem cheio de esperança, num Portugal melhor para todos nós, e a sua coragem na luta para que fosse uma realidade, ficarão para sempre escritos nas mais belas páginas da nossa História.

Foi uma alma em constante desassossego na procura da justiça social e na elevação da cultura portuguesa .

O sonho que acalentou na juventude não se perdeu. Foi a força que o impulsionou a ser quem foi seguindo por um árduo caminho onde de tudo encontrou desde a escuridão da prisão à solidão do exílio. Todo esse percurso lhe concedeu uma luz que de si irradiava arrastando as multidões em brados de alegria e esperança .

Transformou o Portugal amordaçado com gente triste e explorada carregada com os grilhões da censura, da pobreza e da guerra num Portugal respeitado e moderno.
Vivi esses anos da nossa Democracia com uma alegria e confiança que, infelizmente, a pouco e pouco nos foram roubando. E o Dr Mário Soares sentiu essa tristeza por a Europa se afastar dos seus desígnios mais nobres.

Reconhecido internacionalmente é um grande orgulho para todos os portugueses mesmo para os que não o admiraram em vida.

As honras que lhe são devidas estão sendo prestadas com toda a dignidade. Portugal deve reconhecer os seus filhos ilustres.

Que a sua tenacidade, os seus nobres ideais, a sua alegria de viver sejam um incentivo para todos os que têm a missão de guiar os nossos destinos.

Paz à sua alma de guerreiro do bom combate!

Obrigado, Dr Mário Soares!