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Olhar Elvas

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©Elvasnews/Luís Canhoto
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Linda cidade, abaluartada, por tantos amada és cristal reluzente que meus olhos seduzes.

Não te iludas, linda princesa do Alto Alentejo, com promessas vãs e malabarismos que te podem conduzir ao abismo.

Visitar-te, percorrendo as tuas calçadas antigas mas bem cuidadas, me faz recordar outros tempos. É sempre muito gratificante para o meu coração que de ti nunca se esquece porque aí cresci e aprendi muito do que hoje sei.

Passam os anos e, apesar do progresso que vejo, sinto que há gente dentro de ti que não te conhece bem nem descobriu o que será melhor nos tempos que se aproximam.

Dentro das tuas muralhas e fortalezas talvez vivam ainda mouras encantadas esperando que um príncipe as liberte do pesado sono em que jazem.

Assim, continuas apegada a palavras e sonhos vãos, vindos em catadupa de quem de ti se quer voltar a servir para lavar o seu «ego» ferido, continuando a fingir ser o «cavaleiro» destemido, o «conquistador» invencível, hoje já na decadência, sem argumentos válidos nem projetos coerentes que te libertem do marasmo em que não podes deixar-te afundar.

Mereces, como urbe moderna e virada para o mundo, cumprir o teu destino de progresso e paz.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Não te prendas ao passado recente que, muito embora te tivesse trazido fama mundial por seres com toda a razão, Património da Humanidade, não te permitiu a evolução e melhoria de qualidade de vida das tuas gentes.

Estende o teu olhar para além das muralhas que te cercam, procura outros caminhos, não em busca de «louros » ou «condecorações» individuais, os quais muitas vezes são cobertura de ídolos com pés de barro, mas sim, do desenvolvimento real, palpável, que traga benefícios para todos.

Procura entendimentos com parceiros credíveis, convida-os a entrar, abre-lhes as portas com verdadeira amizade e lealdade para que nesses acordos possas encontrar os meios necessários à melhoria de vida de todos os que te amam e persistem em viver debaixo desse teu céu tão luminoso e sedutor!

Tens riquezas imensas que poderão ser exploradas e transformadas. Dos teus olivais se colhem as mais belas azeitonas, dos teus laranjais doces laranjas, dos pomares as mais famosas ameixas, abrunhos, pêros, figos, romãs… Nos montados se criam as mais belas carnes: porco, borrego, boi, vaca, cabra, alimentados de belas pastagens que nos possibilitam os ricos enchidos, os saborosos queijos, etc…

Todas estas atividades precisam ser dinamizadas e apoiadas para que surjam mais postos de trabalho, decentemente remunerado, de modo a fixar e interessar a juventude por ele. Só assim se pode progredir e ser feliz.

Sabes, minha cidade, aqui de longe te sigo, te sonho, te canto e te imagino sempre mais bela.

Não confies, cegamente, nos pregões de quem se quer apoderar de ti para voltar a subir a escadaria do poder, te olhar da sua cátedra como súbdita inocente e obediente, incapaz de levantar a voz, impotente sob o jugo dominador de quem se julga impune.

Não, minha dama abaluartada, vivemos outros tempos com novos desafios. As exigências são muitas. É preciso saber ser diplomata, competente, dialogante, ter largos horizontes .

Estou vendo, pelas aldeias do nosso concelho, grandes passeatas, animadas de música como se andassem anunciando a chegada de mais um circo.

Há cumprimentos à esquerda e à direita pois os intervenientes não são de lado nenhum, não sabem para que lado cair. As pessoas da terceira idade são os grandes visados nessas incursões, meio carnavalescas, porque, infelizmente, são os menos informados, os mais facilmente manipulados. Não sabem bem quem são, na verdade, os protagonistas principais porque só um nome soa como real.

Andam promessas milagrosas no ar como se pudessem transformar-se em realidades. O povo é crente e embarca no barco dos sonhos. O grande problema é que se o peso é de mais, vão todos ao fundo.

Não desejaria ver a minha gente desesperada nem desiludida com as escolhas que possa fazer. Sugiro que se informem, tentem fazer uma análise profunda sobre as intenções que movem certas pessoas que se arrogam em «salvadores messiânicos».

Confesso que não faço apologia nem de santos nem de pecadores. Contudo, todos sabemos que há sempre uns mais santos que outros e uns menos pecadores que outros. Na hora de decidir isso tem o seu peso, certamente.

Há uns anos atrás, quando pouco sabia do que se passava em ti, minha cidade de Elvas, apenas ouvia dizer que havia um nome que andava por todo o lado, dentro e fora de ti. Cheguei mesmo a pensar que se tratava de um «herói», uma figura «ilustre» pela sua cultura ou feitos.

Com o tempo fui sabendo que toda essa relevância e protagonismo eram obra nascida das entranhas e da vaidade do referenciado, não da população, pois as decisões eram tomadas pela calada, ditatorialmente, já que, quem não concordasse com elas, tinha a porta de serventia da casa aberta para sair.

A nossa gente sempre «pecou» por ser submissa e aceitar ordens sem muitas vezes as questionar.

Como já referi, os tempos mudaram! O destino está nas nossas mãos. O tempo de servidão e obediência cega acabou. Não podemos acreditar em «lobos» vestidos com pele de «cordeiro».

Elvas, acorda! Exige transparência de quem te quer governar! Tens o direito a perguntar de onde vêm, como chegaram onde hoje estão, quem esmagaram na caminhada e quais as suas verdadeiras intenções.

Ninguém te limpará as lágrimas se chorares as más escolhas que fizeste!

O futuro está na tua decisão, na tua escolha. Quero, somente, ver-te florir e sorrir!

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