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Os políticos e os festivais

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Corre no sangue português uma força que o impulsiona e o torna merecedor de reconhecimento por parte de quem sabe dar valor a quem o tem.

Nas mais diversas áreas de atividade surgem nomes que conquistam lugares de prestígio por mérito próprio e reconhecido esforço e capacidade.

Somos pequenos no espaço territorial mas grandes de alma. Temos uma herança da qual nos podemos orgulhar e que devemos honrar.

Mostramos ao mundo que este cantinho à beira mar plantado tem dado grandes exemplos de dignidade e coragem, sabedoria e inovação.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Mas, tantas vezes, as vitórias alcançadas são manchadas e denegridas pelos que procuram, sem escrúpulos, subir e dominar, usando os mais pérfidos caminhos para atingirem os seus intentos de protagonismo e exaltação do ego.

Tudo isto se pode passar, infelizmente, no panorama político, desportivo, musical, artístico ou laboral.

Na política, como simples observadores, vemos, a toda a hora, coisas impensáveis, situações que nunca nos passaria pela cabeça que pudessem acontecer.

Quase ninguém sai limpo desses meandros em que anda envolvido porque, o que move a maior parte das pessoas, é o seu próprio interesse, as suas conveniências e, sobretudo, viverem bem sem se importarem muito com a forma de o conseguirem.

Temos assistido a cenas verdadeiramente chocantes não só pelo seu conteúdo, mas pela forma como as notícias chegam até nós, através de meios pouco claros, até mesmo, indevidos.

Falo do ex primeiro-ministro sobre quem recaem graves acusações que, para muitos, e para mim, também, seriam uma falácia.

Depois de um trabalho francamente positivo e meritório, no seu primeiro mandato, tudo é arrasado de uma forma incompreensível mas que, embora haja dificuldade em desfazer o novelo, se percebe, claramente, que algo de anormal existe.

Criam-se imagens e personagens verdadeiramente gigantescas mas assentes em pés de barro, facilmente desmoronáveis.

Abordo este exemplo por ser o que mais me entristece por não me querer convencer da realidade, porque todos os outros que existem na política em Portugal, alguns bem mais graves, que tanto prejudicaram o país e continuam impunes, não me surpreendem.

Mas falemos de coisas mais suaves e alegres.

Portugal venceu, o ano passado, pela primeira vez na nossa história, o Festival Eurovisão da Canção com um tema muito bonito e simples, que teve grande sucesso para além fronteiras.

Valeu a música, valeu a letra, valeu o intérprete e, até a sua saúde bastante precária, nessa altura, sensibilizou o mundo.

Portugal é hoje o palco onde desfilarão os maiores, talvez até os melhores compositores, instrumentistas e cantores europeus e também já, de outros continentes.

Como estamos nós representados este ano? A canção escolhida terá sido a melhor?

Não menosprezo o valor, tanto da compositora como da intérprete, contudo, desde a primeira hora, depois da situação inaceitável do cantor que nos poderia, efetivamente, ter representado com muita dignidade, experiência e valor, ter enveredado pelo caminho do facilitismo e, pior ainda, não ter tido a ombridade de reconhecer o seu erro, a escolha então feita, na minha modéstia opinião, para canção vencedora, não foi a melhor nem a mais justa.

Oxalá me engane, porém, temo que, uma vez mais, se vai cumprir a nossa triste sina – «quanto mais alto subimos, mais baixo descemos»

Que destino nos persegue? Cantaremos eternamente o triste e magoado «fado»?

Que fazer para mudar a nossa sina?

Será preciso gritar aos sete ventos que, tanto políticos como músicos, todos, mas todos, temos que ser honestos e não viver de habilidades e mentiras?

Que exemplo damos às novas gerações?

Grande responsabilidade carregamos e, se não mudarmos os nossos comportamentos, o futuro não terá garantias.

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