Quando estamos bem, nem nos apercebemos dos dramas e sofrimentos daqueles que têm que passar pelos hospitais em busca de soluções para a saúde perdida, ou prestes a perder-se.

Porém, quando a doença nos faz companhia todos os dias, começamos a ver com mais nitidez onde estão e quais as diferenças entre os bons profissionais e os medíocres.

A maioria do povo português recorre ao SNS na esperança de aí encontrar quem o ajude a superar os problemas que a vida lhe traz.

Se há hospitais onde reina o caos e a desordem, noutros nada se passa. A tranquilidade e a ordem imperam e os doentes são atendidos como merecem, como têm o direito de ser observados e orientados.

Felizmente que temos liberdade de escolher o hospital onde queremos entrar em situações de emergência, decisão que tomamos depois de passarmos ou vermos os nossos familiares passar, por momentos de incerteza e dúvida, quanto à competência do atendimento.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Enquanto em certo hospital estatal há horas intermináveis de espera para se ser atendido, noutro, bem perto, também pertencente ao SNS, o doente é de imediato observado e encaminhado para o serviço de que carece.

Interrogo-me sobre o porquê de tais diferenças e tão grandes.

Quem dirige os serviços não tem iguais competências e responsabilidades para que os utentes sejam tratados do mesmo modo?

É lamentável que interesses políticos ou económicos se sobreponham ao bem público.

É deplorável usar como arma o dinheiro, esquecendo-se que há valores muito mais importantes na defesa e conservação de uma profissão.

Usam estratagemas ignóbeis para alcançar objetivos pouco claros.

Nunca vi ninguém bater em enfermeiros ou agredi-los verbalmente.

São muito senhores do seu nariz e às vezes, até prepotentes, para se deixarem subjugar por alguém.

Perderam o humanismo e o espírito de solidariedade que deve fazer parte de qualquer profissão, muito mais daquelas em que se convive com pessoas fragilizadas.

Muito mal caminhamos, se apenas os bens materiais têm valor e o resto é considerado insignificante.

Por trás destas lutas, que destroem a vida de tantos portugueses, há interesses muito mesquinhos e fundamentados no desejo de retrocesso de tudo quanto de bom a democracia deu aos portugueses pobres.

Que a justiça seja implacável para quem não olha a meios para alcançar os fins que ambiciona.

Que a moral e a ética tenham a força necessária e se imponham para que o SNS seja melhorado e uma porta aberta com dignidade, para todos os portugueses.