Os “Reis Magos de Hoje e o Bolo-Rei”

Opinião - Graça Amiguinho
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As lindas e fantásticas histórias contadas, ao longo dos séculos, às crianças, que as guardam para sempre nos recantos mais delicados da memória, permanecem hoje, como símbolos de algo que muito desejamos, mas que se torna cada dia, mais difícil de alcançar.

Os “Magos” dos nossos dias falam-nos de fantasias, que descobrimos, mais cedo ou mais tarde, que são utopias, pura imaginação, sem condições de concretização.

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Vivemos num mundo em que os atores principais detém, nas suas mãos, todo o poder para construir ou destruir.

Nós somos as “marionetes” dessa cena teatral, sem qualquer força para impedirmos que a Terra se torne inabitável, irrespirável, apesar de nos quererem convencer de que “o povo é quem mais ordena”!

A cena política e social está cada dia mais empobrecida de gente com nobres ideais, gente capaz de pensar no bem comum, acima dos seus interesses de classe.

Fomos ensinados a obedecer, a não contestar, para não gerarmos confusões, nem distúrbios, e vamos caminhando, como cordeiros para o matadouro, à espera de alguém, com poderes “mágicos”, que nos venha salvar.

Os “Reis Magos” que vieram do Oriente, seguindo uma estrela, à procura do Deus Menino, terão sido levados pela curiosidade, pela esperança ou pela certeza das suas convicções?

Reis Magos Hoje, do Oriente, só nos chegam notícias de desgraças, lutas, guerras sem sentido, VÍRUS, falta de respeito pelos direitos humanos, ânsia de poder, escravização dos mais fracos.

No Ocidente, a fome, a morte e a doença são notícias e as injustiças sociais, são o “pão nosso de cada dia”.

Nós estamos no centro do furacão e procuramos difundir regras que eliminem a discriminação entre os seres humanos, que privilegiem o respeito pela vida, que acabem com a miséria, que permitam a igualdade, a fraternidade e a liberdade, valores indispensáveis numa sociedade que deseje ser equilibrada e justa.

Foi pensando no dia de amanhã, “Dia de Reis”, celebração que na vizinha Espanha tem um sentido muito profundo e é vivenciado por todos os cristãos, que abordei este tema.

O “Dia de Reis”, 6 de janeiro, é o dia de verdadeira celebração do Natal de Jesus, no país vizinho.

Por aqui limitamo-nos a comer o tradicional “bolo-rei”, nome que se reporta aos “três Reis Magos”, oriundo de França, um bolo em forma de coroa, recheado de frutos secos e enfeitado de frutas cristalizadas e coloridas. Antigamente, no interior do bolo colocavam uma fava ou um pequeno brinde, geralmente, de metal. Quem encontrasse a fava, na fatia que comesse, ficaria com a responsabilidade de comprar o bolo, no ano seguinte. Se encontrasse o brinde, significava um desejo de “boa sorte”.

Bolo-ReiA história do “bolo-rei” é muito antiga. Remonta ao tempo dos romanos. Esta tradição, tal como outras, foi aproveitada pela Igreja Católica e ficou relacionada com a Natividade e a Epifania.

O “bolo-rei”, tal como o conhecemos, surgiu na corte de Luís XIV, em França, feito para as festas de Ano Novo e Dia de Reis.

Após a Revolução Francesa, em 1789, este bolo foi proibido por se referir a uma classe extinta, a realeza.

Mas, como era um bolo muito apreciado, os pasteleiros não estavam interessados no seu desaparecimento e continuaram a fabricá-lo, mesmo durante esse período revolucionário, dando-lhe outro nome, “Gâteau des Sans-culottes, (bolo dos sem calcinhas)!

Em Portugal, o bolo-rei tornou-se muito popular no séc XIX. Terá sido a Confeitaria Nacional, em Lisboa, a primeira casa onde se vendeu, em 1869-1870.

No Porto, o bolo-rei apareceu em 1890, na Confeitaria Cascais, com uma receita trazida de Paris, pelo seu proprietário, Francisco Júlio Cascais.

De Portugal, deu um salto para o Brasil, onde se tornou também, uma tradição.

Tal como sucedeu em França, com a proclamação da República, em 5 de outubro de 1910, em Portugal, o bolo-rei também ficou em risco, por assim ser chamado.

Portanto, perante a mudança de regime e porque ninguém prescindia de tão delicioso bolo, os pasteleiros portugueses passaram a chamar-lhe “bolo nacional”, “bolo de Natal” ou “bolo de Ano Novo”.

Mas a polémica, em torno do afamado bolo, não ficou por aqui.

Alguns republicanos queriam chamar-lhe “bolo republicano”, “bolo presidente” ou até, “ bolo Arriaga”, nome do primeiro Presidente da República portuguesa.

Apenas, mais uma referência sobre este saboroso bolo!

A partir de 1999, foi proibido em Portugal comercializar géneros alimentícios que tivessem brindes misturados, sendo o “bolo-rei” considerado uma exceção, por “razões de reconhecida tradição cultural”.

Porém, a partir da livre circulação de bens e serviços, após o tratado de Roma, o sistema jurídico português fez uma revisão da lei para evitar obstáculos e a ressalva do “bolo-rei” desapareceu, em 2001.

Depois de tanta conversa, está na hora de irmos tomar um chazinho, com uma bela fatia de bolo-rei, à pastelaria mais próxima.

Bom proveito e bom “Dia de Reis”!

Ps. Não se esqueçam do certificado de vacinas, atualizado, para entrarmos e nos podermos sentar!