Professor da Universidade do Minho lança livro sobre as mulheres na Química

João-Paulo-André
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Sabia que só oito mulheres receberam o Prémio Nobel da Química, criado em 1901, e que nesse restrito grupo não está incluída, por exemplo, a alemã Lise Meitner, nomeada 48 vezes para o Nobel (19 delas para o da Química)? As contribuições femininas para a química mundial são destacadas dia 22 de Novembro no lançamento do livro “Irmãs de Prometeu”, de João Paulo André, professor da Escola de Ciências da Universidade do Minho. A obra é apresentada às 16h30, na biblioteca geral do campus de Gualtar, em Braga, pelos professores Carlos Fiolhais (Universidade de Coimbra) e Raquel Gonçalves-Maia (Universidade de Lisboa), sendo a entrada livre. A sessão tem apoio da Casa do Conhecimento da Universidade do Minho (UMinho) e vai ser transmitida online. O livro de 664 páginas é editado pela Gradiva.

“A antiga opinião de as mulheres não se adequarem à investigação dificultou a sua caminhada, mas não obstou a que várias brilhassem num mundo da ciência dominado por homens – e este livro dá muitos e bons exemplos de figuras, factos e histórias curiosas, numa leitura acessível a todos”, frisa João Paulo André. Há um século, ainda acontecia a assistentes e colaboradores, que faziam amiúde a maioria do trabalho e até a descoberta principal, não serem reconhecidos, tendo as mulheres sido especialmente vítimas de tais “esquecimentos” e mesmo usurpações, nota o autor. O título do livro compara-as com Prometeu, o titã que roubou o fogo (conhecimento) aos deuses e deu-o aos humanos, embora como castigo divino tenha sido preso.

Irmãs-de-PrometeuA obra, ilustrada com excertos de correspondência e de obras da literatura mundial, perfaz uma viagem de vários milénios, desde as primeiras mulheres dedicadas a processos físico-químicos, como a manipulação e conservação de alimentos ou a perfumaria das primeiras civilizações. Depois, é focado o pensamento greco-romano da Antiguidade, a alquimia de Alexandria, a vida monástica, os “livros de segredos” (receituários de medicina caseira e cosmética, populares no Renascimento) e as raras obras escritas por mulheres até ao século XIX.

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Marie Curie inspiradora

Seguem-se as primeiras mulheres nas universidades, na investigação e em carreiras na química, a trabalhar com homens (como suas assistentes, colegas e até esposas), e, por fim, as nobelizadas da Química. São elas Marie Curie (1911), por descobrir o polónio e o rádio; a sua filha Irène Juliot-Curie (1935), pela radioatividade artificial; Dorothy Hodgkin (1964), pela determinação das estruturas da penicilina e da vitamina B12; Ada Yonath (2009), pelo estudo da estrutura e da função dos ribossomas (estruturas celulares); Frances Arnold (2018), pela evolução dirigida de enzimas; Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna (ambas em 2020), por novos métodos na edição do genoma. Sucedeu-lhes Carolyn Bertozzi, em 2022, pelo desenvolvimento da química bioortogonal.

“Irmãs de Prometeu” lista ainda todas as nomeadas para esse Nobel, bem como outras cientistas “que o poderiam ter também ganho”, como Lise Meitner, que descobriu a fissão nuclear. Por curiosidade, o Prémio Nobel foi no global concedido a 894 homens, 60 mulheres e 27 entidades.

João Paulo André doutorou-se na Universidade de Basileia (Suíça) e é professor de Química na UMinho. É também autor do livro “Poções e Paixões – Química e Ópera” (Gradiva, 2018), que a Biblioteca Nacional produziu depois em braille e em áudio para invisuais. Mantém uma intensa atividade na divulgação da ciência e um forte interesse pela música e literatura, sendo comentador de ópera na rádio Antena 2.

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Cultura, Ciência e Tecnologia