Início Ciência E se pudermos personalizar vacinas contra o cancro?

E se pudermos personalizar vacinas contra o cancro?

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Credit: Yale – Ziba Kashef
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E se fosse possível criar uma vacina contra o cancro? Se pudéssemos ensinar o nosso sistema imunitário a reconhecer e atacar apenas células cancerosas?

A ideia não é nova, mas a dificuldade em conseguir “treinar” o sistema imunitário desta forma tão específica faz com que este seja considerado um dos santos Graal da medicina moderna. Contudo, resultados promissores em dois ensaios clínicos recentes, com pacientes de cancro de pele, estão a abrir portas à criação de vacinas “feitas à medida” do tumor de cada paciente.

Os resultados destes estudos foram publicados este mês na revista científica Nature. Ambos os ensaios focam-se em neoantigénios. Antigénios são moléculas apresentadas na superfície de células e que têm a capacidade de estimular o sistema imunitário. Por sua vez, neoantigénios são antigénios que resultam de mutações existentes no DNA e, como tal, estão presentes na superfície das células cancerígenas, mas não existem em células saudáveis. Esta particularidade faz dos neoantigénios o alvo ideal para imunoterapias de combate ao cancro. “Em oncologia, sempre soubemos reconhecer que o tumor de cada paciente é único. Com os avanços tecnológicos recentes, está a tornar-se possível criar uma terapia adaptada ao tumor de cada indivíduo.”, dizem os investigadores do Dana-Farber Cancer Institute, do Broad Institute (MIT) e Harvard.

Sara Porfírio, investigadora em Glicobiologia no Complex Carbohydrate Research Center, instituto de investigação associado à Universidade da Geórgia (EUA).

No primeiro ensaio clínico realizado no Dana-Farber Cancer Institute, em Boston (EUA), foram recolhidas amostras de seis pacientes com melanoma. Os pacientes foram identificados como sendo de elevado risco de reincidência após remoção cirúrgica dos tumores. Para cada paciente, foram identificados até 20 neoantigénios específicos do seu tumor.

Os cientistas utilizaram então algoritmos informáticos para seleccionar quais os neoantigénios que melhor estimulavam o sistema imune e esses foram depois sintetizados, misturados com adjuvantes e injectados nos pacientes. Quatro dos seis pacientes envolvidos no estudo não mostraram reincidência tumoral 25 meses após a vacinação. Nos restantes pacientes foi observada reincidência, mas nesses casos os tumores já tinham metastizado nos pulmões. Após um segundo tratamento com o fármaco pembrolizumab, os tumores nestes pacientes também entraram em remissão.

O segundo ensaio, levado a cabo pela Biopharmaceutical New Technologies (BioNTech), na Alemanha, utilizou uma abordagem semelhante focada em neoantigénios de 13 pacientes, também eles com melanoma. Neste caso, oito dos 13 pacientes entraram em fase de remissão 12-23 meses após o tratamento.

Embora ainda em fase muito precoce estes resultados são altamente promissores. O passo seguinte passa por desenvolver novos ensaios clínicos de maior dimensão e abrangentes a outros tipos de cancro para poder determinar a verdadeira eficácia destas novas vacinas personalizadas.

Actualmente, o principal impedimento para estes tratamentos é o custo elevado associado à produção das vacinas – estimado em cerca de 52 mil euros por paciente. Outra desvantagem é o tempo de produção, que nos referidos ensaios clínicos se prolongou por vários meses.

Apesar das actuais desvantagens, os resultados destes ensaios são um grande passo na criação de novas terapias anti-cancerígenas e dão inicio a uma nova era da medicina.

Fonte:

http://newatlas.com/cancer-personalized-vaccine-success-trial/50402/

https://www.technologyreview.com/s/608205/promising-signs-that-personalized-cancer-vaccines-keep-tumors-at-bay/

 

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