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Quantas cores conseguimos ver?

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O olho humano possui dois tipos de células fotoreceptoras: cones e bastonetes. Enquanto os bastonetes são responsáveis pela visão a baixos níveis de intensidade luminosa (visão no escuro), a capacidade de ver diferentes cores está a cargo dos cones.

Radiação visível

A radiação divide-se em comprimentos de onda, naquilo a que se chama o espectro electromagnético.

A maioria dos humanos é tricromata, ou seja, possui três tipos de cones na retina do olho. Pensa-se que cada tipo de cone consiga distinguir cerca de 100 tons diferentes, e estima-se que o olho humano consiga distinguir cerca de 1 milhão de cores (na gama da radiação visível), como resultado de todas as combinações possíveis dos três tipos de cones existentes na retina. A inexistência ou atrofia de apenas um tipo de cone tem consequências relevantes na visão: pessoas daltónicas possuem apenas dois tipos de cones funcionais, e por isso estima-se que consigam distinguir apenas 10 000 tons. O mesmo se aplica à grande maioria dos mamíferos, que, por terem apenas dois tipos de cones, são considerados dicromatas.

Contudo, certos animais – tais como alguns pássaros, répteis, insectos e peixes – possuem um quarto tipo de cones, o que lhes permite ver cores na gama da radiação ultravioleta (UV). Existem provas de que algumas pessoas tenham alterações genéticas que lhes confiram um quarto tipo de cones – pessoas “tetracromatas” – como é o caso de Concetta Antico, uma artista australiana que foi diagnosticada em 2012.

Sara Porfírio, investigadora em Glicobiologia no Complex Carbohydrate Research Center, instituto de investigação associado à Universidade da Geórgia (EUA).

O tetracromatismo é uma condição que se pensa afectar 12% da população feminina, embora seja extremamente difícil provar a sua existência, dada a impossibilidade de uma pessoa tricromata conseguir ver as mesmas cores que uma pessoa tetracromata. Além disso, a maioria das pessoas tetracromatas, apesar de possuir quatro tipos de cones, tem uma visão tricromata. A cientista Gabrielle Jordan, da Universidade de Newcastle, tem estudado este tema e conseguiu criar testes que permitam identificar verdadeiras tetracromatas, isto é, pessoas que têm quatro tipos de cones funcionais. Em 2007, estes testes permitiram diagnosticar outra mulher, identificada apenas como cDa29. Estima-se que no total estas mulheres consigam distinguir 100 milhões de cores.

“Sabemos que o tetracromatismo existe, mas não sabemos o que permite a alguém tornar-se funcionalmente tetracromata, uma vez que a maioria das mulheres com quatro tipos de cones não o são”, diz Gabrielle. Uma das hipóteses proposta para esta discrepância é o facto de a nossa sociedade estar adaptada à visão tricromata sendo, por isso, possível que este tipo “extra” de cones nunca seja estimulado. Tendo em conta que a investigação feita com a pessoa cDa29 não foi revista por pares ou publicado, e esteja ainda a decorrer, é importante repetir este tipo de estudos para garantir a sua validade científica.

A compreensão do fenómeno do tetracromatismo pode não só ajudar a melhor entender como funciona a visão humana, como também contribuir para a criação de dispositivos sensoriais mais desenvolvidos que podem ajudar pessoas com disfunções sensoriais.

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