Início Opinião Graça Amiguinho Quem é Alireza Beiranvand, o guarda redes do Irão?

Quem é Alireza Beiranvand, o guarda redes do Irão?

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Um ilustre desconhecido, uma vida de luta e aventura que o Mundial de Futebol trouxe às luzes da ribalta.

Quando muitos pensam que se sobem as escadarias da vida à custa de padrinhos, dinheiro ou atropelos, surge um exemplo que deve ser estímulo e exemplo para quem tem coragem, persistência e determinação com o objetivo de que os seus sonhos não fiquem debaixo de uma almofada ou perdidos em qualquer esquina.

Falo-vos do guarda redes do Irão que defendeu a bola jogada pelo melhor jogador do mundo, o nosso Cristiano Ronaldo, cuja vida, embora diferente da que hoje vos falo, foi também recheada de grandes sonhos e ideais que o conduziram, por mérito próprio, a ser uma das personalidades mais conhecidas no nosso planeta.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Para quem ainda não conhece esta história encantadora, que mais parece saída de um conto de fadas, aqui a trago porque me sensibilizou e me tornou admiradora desse jovem jogador de futebol.

Pertencia a uma família de pastores, nascido em Sarab-e Yas, no norte do seu país, e era o filho mais velho.

Naturalmente, o pai queria que ele continuasse a tradição familiar, mandando-o guardar os seus rebanhos.

Cedo o menino sentiu o gosto pelo desporto e alimentou o sonho de vir a ser um desportista.

Conta ele que o pai chegou a rasgar-lhe as roupas, contrariando a sua inclinação decidida para o futebol.

A força que o impelia era mais forte do que ele e, levado por ela, fez aquilo que não deveria ter feito, porque apenas tinha 12 anos e decidiu abandonar o seu lar e ir sozinho para Teerão.

Durante a viagem de autocarro conheceu um treinador e logo teve oportunidade de mostrar o seu talento num pequeno clube.

Mas, coitada da criança, ganhava tão pouco que tinha que dormir na rua. Não sabemos até que ponto terá passado privações, mas a sua têmpera não lhe permitia voltar atrás no caminho que desejava percorrer.

Fez de tudo um pouco para sobreviver e atingir os seus objetivos, dos quais não desistiria de forma alguma.

Desde lavar carros, varrer ruas, servir num restaurante de pizzas, tudo servia para ir alimentando o seu desejo de chegar mais longe e se realizar como jogador, dom que possuía e era a sua verdadeira razão de viver.

A sua grande oportunidade chegou.

Em 2015, Carlos Queirós chama-o para defender as redes do Irão.

Homem feito, endurecido pela coragem e persistência, não deixa de sonhar e tudo faz para se tornar conhecido, poder atravessar fronteiras e vir a jogar em algum dos maiores clubes da Europa. Tanto o Liverpool como o Saint-Germain não estão fora do seu sonho.

Como se sentirão, hoje, os pais deste jovem talentoso e cuja história, contada sem vergonha do passado, corre mundo?

Certamente já lhe perdoaram a ousadia de ter saído de casa, ainda uma criança.

Os bons exemplos devem ser dados a conhecer para que deles se colham lições e possam servir de incentivo à luta na concretização de nobres ideais.

Nem tudo no futebol é fácil. Nem tudo são favas contadas, como é costume dizer-se.

Neste momento, vamos continuar a apoiar a nossa seleção, pois é uma digna representante de Portugal no mundo.

Força, Portugal!