Início Opinião Graça Amiguinho Quem quer ser professor?

Quem quer ser professor?

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Ser professor é querer cumprir de uma nobre missão, embora sempre mal remunerada, pois nunca lhe foi dada a importância que merece.

Talvez pareça exagerada a minha opinião mas tenho razões suficientes para assim pensar.

O professor não se considera um ser superior, apesar de carregar sobre si, anos e anos de estudo, horas de concentração e aprofundamento da sua consciência para não prejudicar nenhum dos alunos que lhe é confiado, avaliando as suas capacidades com a maior honestidade.

O professor é um ser moderado que cultiva a sabedoria e a paciência, a disciplina sem rigidez, a ordem sem pressões.

O professor, ao entrar na sala de aula, perde a sua memória pessoal, esquece a sua vida, os seus problemas íntimos e familiares para viver, atentamente, os problemas dos seus alunos, as suas dificuldades de aprendizagem, as suas incapacidades de concentração e até os seus limites de comunicação social.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

O professor é um mediador entre os seus alunos, é a ponte entre a ignorância e a sapiência, é o canal da corrente que conduz ao sucesso e à realização dos sonhos.

O professor é o missionário que aponta, com humildade, as regras de boa conduta, a aceitação das diferentes formas de ser do aluno, as suas incapacidades para atingir as metas propostas, nunca inferiorizando ninguém, mas estimulando o que de positivo, cada um possui.

O professor sabe dizer não, quando é preciso, sem recorrer à força mas sim à razão.

O professor merece ser respeitado, não só pelos seus alunos e familiares, como pela entidade que o contrata, a sua entidade patronal.

Ora, aqui reside um grave problema que se arrasta tempos incontáveis e que vai retirando ao Professor a consideração e o respeito que lhe são devidos, por ser um dos instrumentos mais preciosos de qualquer sociedade.

Uma sociedade não pode prescindir dos seus professores.

Uma sociedade decente não pode maltratar os seus professores.

Uma sociedade democrática não pode roubar os seus professores.

Uma sociedade governada por gente de bem tem que devolver aos seus professores a dignidade enfraquecida por quem os menosprezou durante tantos anos.

Os professores têm razões mais que suficientes para estar tristes e inconformados.

Os professores, como outros profissionais, têm todo o direito de querer todo o seu tempo de serviço, ao serviço do Estado, contado.

Não há forma de fazer justiça, sem honrar a justiça, e respeitar os direitos dos cidadãos.

Como professora que fui e porque sei que os meus colegas honram o seu trabalho, estou solidária com a sua luta por achar que lhes assiste toda a razão.

Que este tempo de paragem seja um recuperar de energias e que soprem ventos de paz e concertação social para bem da educação em Portugal.

E tu, ainda te sentes com coragem para seres professor?