Reprovar-não-é-drama
   Publicidade   
   Publicidade   

Opinião de Graça AmiguinhoNuma sociedade em evolução galopante, há a tendência para que tudo seja perfeito.

   Pub 
   Pub 

Os defeitos, as imperfeições, as incapacidades, as limitações, quer físicas, quer mentais, do ser humano, são motivo de profundas análises e conjeturas, surgindo mil e uma opiniões para encontrar soluções milagrosas para tudo, como se fosse possível, alguma vez, as pessoas serem iguais umas às outras, e não houvesse entre elas, diferenças abismais, referentes ao meio social em que nasceram, às características genéticas dos progenitores, ao local onde vivem, aos amigos com quem convivem, à escola que frequentam, ou aos professores que os ensinam.

Em qualquer família, os seus membros têm qualidades distintas, aptidões e tendências diversas.

Compete, em primeiro lugar, à família, o conhecimento profundo dos seus filhos e encontrar a melhor forma de os educar para que o resultado, mais tarde, seja positivo e construtivo.

Os meus dois filhos, têm inteligências diferentes, aptidões diferentes, e diferentes formas de estar na vida. Foram orientados por mim e pelo pai, mas sempre respeitando a identidade de cada um e as suas inclinações e escolhas.

O mais velho, manifestou algumas dificuldades na aprendizagem, inicialmente, e isso deixava-me muito preocupada, pois queria que ele fosse um espelho do que eu tinha sido em criança.

Muitas vezes, o meu querido esposo me dizia, que eu tinha que aceitar a diferença, pois o nosso filho nunca poderia ser uma cópia minha.

Foi meu aluno na terceira e quarta classes e, no final desse ciclo, cheguei mesmo a pensar que seria melhor para ele, ficar retido mais um ano, para depois avançar com mais segurança.

Não era uma questão de inteligência, pois até esses testes foram feitos e revelavam uma capacidade acima da média. Porém, outros problemas o preocupariam e razão tinha para isso, o que o levava a dispersar-se facilmente e viver no mundo dele.

Procurei um Colégio particular, pensando que o iria ajudar, no 1º ano, o correspondente, agora, ao 5º ano, mas foi um rotundo fracasso.

O ritmo era de tal forma acelerado e com algumas práticas de violência física sobre os alunos, que entendemos que a melhor solução para a criança, era interromper as aulas nesse ano e prosseguir no ano seguinte, após uma conversa com o diretor de turma, que fez uma avaliação depreciativa do meu filho, que nós sabíamos ser totalmente descabida e desumana. Essa atitude, vinda de uma pessoa que deveria ter um comportamento afável, em virtude da religião que dizia praticar, mais força nos deu a tomar a decisão de o afastarmos do Colégio, onde imaginávamos outro tipo de ensino.

Sem dramatismos, sem represálias, sem complexos, o menino voltou à Escola Primária e acompanhou uma 4ª classe, exercitando-se e tomando mais confiança em si próprio.

No ano seguinte, ingressou no Ensino Oficial e fez, sem problemas, a sua escolaridade até ao 12º ano, desenvolvendo as suas aptidões e escolhendo a área em que mais feliz se sentia.

O meu segundo filho tinha outro tipo de comportamentos. Era mais independente, poucas vezes pedia ajuda, mas quando precisava dela sempre a teve, e dada com muito carinho.

Fez a escolaridade primária sem problemas assinaláveis e ingressou no Ciclo Preparatório, normalmente. Porém, ao transitar para o 7º ano, as coisas não correram muito bem e, talvez devido a um problema de saúde, que felizmente, se resolveu, o menino chumbou esse ano.

Não me lembro de ter exercido sobre ele qualquer tipo de represália, pois, só o facto de ter perdido o ano, já foi uma grande lição. Daí em diante, prosseguiu sem dificuldades, e só no 12º ano precisou de umas explicações extra.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Conto estas situações que se passaram comigo e relativas aos os meus filhos, para que outros pais, que passem por iguais momentos, procurem encontrar o melhor caminho para o sucesso e felicidade dos filhos, sem complexos de inferioridade, dando abertura suficiente para que os erros sejam corrigidos e sirvam de lição, no futuro.

Não posso deixar de achar uma utopia, alguém pretender que todas as crianças tenham o mesmo ritmo de aprendizagem, as mesmas faculdades mentais, o mesmo tempo de escolaridade, mesmo sem alcançarem os conhecimentos fundamentais.

Terão que ser os pais, conscientes da realidade dos seus filhos, a darem a sua opinião, pois de que servirá uma criança chegar ao 5º ano de escolaridade e não saber ler nem escrever, corretamente?

Isso não será mais traumático, na puberdade, ao se aperceber de que não tem as bases necessárias para prosseguir os seus estudos?

É fundamental que os primeiros quatro anos de escolaridade sejam uma verdadeira fonte de aquisição de conhecimento e desenvolvimento de raciocínio e capacidades, pois terão repercussão em toda a vida futura.

Nunca esquecerei que, quando fiz o exame de admissão à Escola do Magistério Primário, senti perfeitamente, como tinha tido uma boa aprendizagem na Escola Primária.

Que sejam dados os meios necessários à Escola, para que os alunos sejam devidamente acompanhados e a aprendizagem decorra com harmonia, disciplina e alegria.

Fica aqui a minha opinião, dada com muito carinho, respeitando os alunos, os professores, a família, e a cultura do nosso País.