Saber vencer e saber perder

Opinião - Graça Amiguinho
   Pub   
   Pub   

Recordo o tempo em que os meus alunos, em jogos de competição, tinham como lema, a delicadeza de saber cumprimentar o vencedor e nunca inferiorizar, o vencido.

Terá valido a pena esse trabalho?

Quantas vezes, perante tão maus exemplos de certos indivíduos, com lugares de destaque na sociedade, me interrogo, sobre qual a educação que lhes foi dada, no momento certo da formação da sua personalidade e assimilação de ideais?

 Pub 
 Pub 

Transcrevo um acontecimento que ilustra a união e o respeito entre vencedor e vencido:

Sou um ladrão, roubei-te o prémio. Um dia será a tua vez. Abraço-te.”

A frase pertence a Dario Fo, o Prémio Nobel de 1997, e foi dita para o gravador de chamadas da casa de José e Pilar em Lanzarote durante a ausência do casal que participava na edição desse ano da Feira do Livro de Frankfurt. Páginas à frente, a história será completada com um acrescento de Saramago:

 “Vieram-me dizer que Dario Fo estava a dar uma conferência de imprensa e que, depois de terminada, me viria cumprimentar. Quando ele chegou daí a pouco, rodeado de uma nuvem de fotógrafos, fui ao seu encontro, abracei-o e felicitei-o. Os flashes estralejaram à nossa volta, o mundo (esse mundo mínimo a quem estas coisas continuam a interessar) ia ficar a saber que o respeito e a estima ainda não se extinguiram de todo entre a gente das letras, que é possível estarem frente a frente um vencedor e um vencido, sem presunção o que ganhou, sem despeito o que perdeu, e conversarem, simplesmente, como dois amigos.”

O ano de 1997 foi por isso o que José Saramago não recebeu o Nobel e que, pelas palavras atrás, considerava estar certo da atribuição. Só teve de esperar pelo próximo ano para que isso acontecesse…”

A vida é uma constante competição. Cada vez mais, numa sociedade agressiva, os pais têm a preocupação de educar os filhos para alcançarem o sucesso, esquecendo-se que o caminho não se faz só de êxitos e que é fundamental estar preparado para enfrentar dificuldades e saber aceitar, que nem tudo o que mais se deseja, se consegue ter.

Perante as adversidades, a coragem e a determinação de recomeçar, voltar atrás, quando é preciso, abdicar do que possuía, sem se deixar abater, são determinantes para prosseguir, em busca da realização pessoal.

A forma como cada ser humano sabe lidar com a sua posição, conquistada honestamente, em relação aos outros, reflete o seu carácter, os princípios e os ideais que tem gravados na sua mente.

Infelizmente, sabemos que nem só o mérito catapulta alguém para uma carreira profissional de relevo. Muitas vezes, prevalecem os compadrios e a insensibilidade de ultrapassar, sem escrúpulos, quem mais merecedor seria de ocupar esses lugares.

Mas as exceções não alteram a regra geral. Trabalho e persistência são condições essenciais para alcançar o sonho de uma vida. Muitos serão confrontados com outras realidades e situações, às quais terão que virar as costas para não comprometerem as normas que os regem.

Muito se fala, nos últimos anos, de assédio, sexual, moral, stalking e bullying.

Também, principalmente, os jovens têm que estar prevenidos contra esta forma de discriminação, praticadas no momento de acesso a um emprego, com o intuito de perturbar o concorrente, afetando a sua dignidade, ou ainda, a possibilidade de entrar num ambiente de trabalho hostil, de tal forma que se sinta humilhado e perca o equilíbrio emocional.

Quem age desta forma perdeu completamente o respeito pelo seu semelhante. Por isso mesmo, quem praticar contra outrem, dano ou sofrimento físico ou mental, no exercício das suas funções, induzindo o funcionário a demitir-se ou forçando-o a trabalhos exaustivos, é considerado criminoso.

O assédio sexual tem sido desmascarado por muitas mulheres, em diferentes profissões, denunciando, geralmente, pessoas que exercem altos cargos nas empresas. Os abusadores desses poderes são também considerados criminosos pelas leis em vigor.

Stalking é uma perseguição obsessiva de alguém que invade a privacidade de outra pessoa, nos espaços físicos ou nas redes sociais. Infelizmente, são geralmente, as mulheres, as mais atacadas por maníacos.

Nas nossas escolas também se ouve falar de bullying ou cyberbulling, quando as suas diferentes formas de expressão: o machismo, a homofobia, a xenofobia se tornam concretas. As vítimas sofrem ameaças físicas e psicológicas que lhes podem causar graves danos, desenvolvendo crises de depressão, ataques de pânico, abuso de drogas ou até, tentar o suicídio.

Chegaremos a uma conclusão sobre estas graves situações comportamentais que afetam tanta gente?

Para muitos, a resposta mais fácil são as frustrações mal resolvidas, por dificuldade numa integração normal em sociedade.

A revolta revela-se de formas diferentes. Enquanto uns a sofrem à calada, outros têm prazer em ver outros sofrer.

Educar é fundamental!

Só uma educação cuidada, desde tenra idade, pode ajudar a preparar a humanidade para uma vida tranquila e harmoniosa, em sociedade.