Opinião - Graça Amiguinho
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Na história da humanidade, os gestos de avaliação de alguém que deixa de pertencer ao mundo dos vivos, repetem-se. As atitudes e as opiniões serão sempre uma constante e, quantas vezes, profundamente contraditórias.

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Enquanto pisamos a terra que nos há-de comer, vamos sendo tolerados, amados por uns, odiados por outros, embora nem todos estejamos no mesmo patamar e tão expostos ao sabor da opinião pública e muito poucos tenhamos praticado feitos que mereçam ser destacados.

Porém, quando um cidadão protagoniza um acontecimento inédito e com reflexos na sociedade, quer cultural, quer politicamente, fica muito mais comprometida a sua privacidade, sendo, com frequência, alvo de injustas avaliações, que procuram denegrir a sua intervenção, o seu valor como elemento valioso, com o intuito de minimizar o verdadeiro valor da sua coragem, da sua inteligência, da sua determinação e dos ideais que o motivaram a agir.

Ninguém é apenas “santo”. Todo o ser é “pecador”. É verdade que a santidade pode ser maior ou menor, como o pecado pode ser leve ou pesado.

Muito se tem escrito sobre os nossos Poetas, Cientistas, Beneméritos e Políticos.

As suas vidas são tema de filmes, romances, novelas e, quando não os conhecemos, somos observadores das suas histórias, avaliadores dos seus gestos sublimes ou criminosos.

Quando se trata de vulgares cidadãos de quem ouvimos falar e conhecemos, que se notabilizaram pelo seu espírito aventureiro, pela luta em defesa de um ideal, com reflexos mais profundos na nossa vida social, fica-nos sempre a sensação de que, muito pouco sabemos desses personagens que viveram no nosso tempo, quando a sua verdadeira história ainda não está toda contada, quando as notícias são como folhas soltas ao vento, sem sabermos bem, onde vão cair, se nos altares da “santidade” ou no inferno dos “pecadores”, conforme os atos cometidos.

Não sou “advogada do diabo”, mas fico indignada, quando vejo cidadãos que merecem o respeito da nossa sociedade, porque arriscaram a vida por nós, porque se deram a conhecer pela sua coragem e determinação, no virar de uma página negra da nossa História, oferecendo–nos a preciosa bandeira da Liberdade, e são tão maltratados publicamente.

Mais um desses heróis de Abril, partiu. O seu nome não ficou apenas escrito, neste cantinho “à beira mar plantado”, mas correu o mundo. Ao chegar o fim do seu caminho, não ser reconhecido pelo mérito alcançado, na hora da sua morte, é deveras lamentável.

Que cidadãos queremos na nossa terra?

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