Não te disse Adeus, Graça F Amiguinho
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Opinião de Graça AmiguinhoAo te sentir, a minha alma se abre num turbilhão de recordações dos tempos que em ti vivi, dos anos felizes da minha infância e juventude, das tardes longas e calmas, das noites de brisa suave, do amanhecer cheio de luz intensa, dos sonhos que acalentei, dos amores que amei, das amizades que semeei, das lágrimas que chorei, quando um dia parti para terras desconhecidas, embora sempre apoiada, no grande amor da minha vida!

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Pela primeira vez, a ti voltei, sem alguém que foi tudo para mim, mas que eu sei que está comigo, feliz, por eu pisar este chão abençoado, onde fomos criados e tão amados pelos que nossos familiares.

Por aí andei, cumprindo religiosamente a missão que abracei, dando a conhecer-te, meu Alentejo, para além fronteiras, através de uma união, cada vez mais alargada, de poetas, escritores, pintores e artistas que te amam como eu, que se sentem felizes por de ti falarem, e, sobretudo, por honrarem os nossos antepassados, gente humilde mas de alma generosa, que com o seu suor lavrou a tua terra seca, semeou e colheu o teu pão sagrado, sofrendo os rigores dos calores de verão e os gélidos frios do inverno na colheita da azeitona, tão famosa e saborosa, de Elvas!

A desolação em que encontrei Elvas, uma cidade onde sempre se cruzaram os dois idiomas, português e espanhol, mas onde a pandemia que dominou o mundo, conseguiu destruir a vida, a alegria, o convívio fraterno transfronteiriço, obrigando o pequeno comércio a fechar portas, muito me entristeceu.

Porém, a minha cidade não cruzará os braços nem se renderá ao medo e voltará aos tempos antigos, voltará a festejar o seu tão amado São Mateus, voltará a receber os irmãos de Espanha, que tanto gostam dela.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Ainda tive oportunidade de visitar uma excelente exposição de pintura na Casa da Cultura de Elvas, onde apenas tinha entrado, como estudante, para ter umas aulas de ginástica, quando não havia aulas de desporto na primitiva Escola Industrial e Comercial de Elvas, em 1957, por falta de instalações.

Voltei ao Jardim das Laranjeiras, onde a secura me tocou o coração. Sei que a cidade luta com falta de água no verão, é certo. Também passei alguns momentos no Jardim Municipal, onde me agradou ver a quantidade de flores bem tratadas e as suas ancestrais árvores, igualmente cuidadas.

A última visita que fiz, foi ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade, onde não entrava há mais de 50 anos. O meu coração palpitou mais forte, de emoção e de fé.

Elvas tem procurado ultrapassar este tempo estranho, divulgando a Cultura, levando-a à rua das suas freguesias, apoiando alguns artistas, tentando aliviar a população do medo que a invade.

Felizmente, são poucos os casos e os danos provocados pela pandemia, na população, mas a economia, certamente, já sente o impacto negativo do medo, medo de contágio, medo da morte.

Contudo, o medo nunca foi solução para nada, na vida. O que cada um de nós deve cultivar é o respeito pela sua vida e pela vida do seu semelhante, cumprindo, sem hesitações, todas as normas de higiene e distanciamento, recomendados.

Acreditemos que voltaremos a abraçar-nos e a beijar-nos, sem medos!

Um bom Outono para todos os meus amáveis leitores, cuidando, o melhor possível, da nossa saúde física e mental!