Sindicato dos Enfermeiros diz que fecho de urgências é fruto do “desinvestimento” no SNS

Enfermeiros no SNS
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O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) considerou hoje que o encerramento de urgências de ginecologia e obstetrícia pelo país, nos últimos dias, é fruto do “desinvestimento” no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ao longo de anos.

“Isto [o fecho temporário das urgências] apenas vem demonstrar o desinvestimento que, ao longo dos sucessivos anos e governos, o SNS tem sofrido”, disse hoje o dirigente nacional do SEP Celso Silva.

Numa conferência de imprensa à porta do hospital de Évora, convocada para abordar outras matérias, o dirigente do SEP também no Alentejo foi questionado sobre o encerramento, nos últimos dias, de urgências de ginecologia e obstetrícia pelo país, nomeadamente a do hospital de Portalegre (entre hoje e as 08:00 de sexta-feira).

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Segundo o sindicalista, tem havido, “sistematicamente, uma suborçamentação do SNS”, o que leva a que, “de vez em quando, em momentos mais críticos” surjam estes problemas.
“Mas, aqui o problema é que não há um investimento adequado para aquilo que são as necessidades dos serviços”, tendo isso “estas consequências”, afirmou.

“Hoje é esta questão dos blocos de partos, amanhã é outra questão qualquer”, criticou, reclamando um investimento “de forma séria” do Governo neste sector.

Na conferência de imprensa, o SEP revelou que existem “cerca de 250” enfermeiros do hospital de Évora, com contratos individuais de trabalho, que “estão a ser discriminados” por estar a ser feita “uma incorrecta contabilização de pontos” para efeitos de progressão na carreira.

Isto apesar de “o descongelamento das carreiras da Administração Pública ser uma decisão do Orçamento de Estado de 2018”, segundo o sindicato.

Dirigentes do SEP no Alentejo reuniram-se também hoje com o conselho de administração do hospital de Évora para abordar as “temperaturas elevadas” nos serviços de Medicina 1 e 2 daquela unidade, onde existem doentes com covid-19, o que impossibilita ligar o sistema de ar refrigerado.

Após darem conta de “diversas queixas de profissionais e utentes” relativamente ao calor, os sindicalistas disseram ter recebido do HESE a garantia de que, “até à próxima semana”, vai ser colocado “um sistema de extracção do ar” nas instalações, permitindo “que os doentes com covid possam ser tratados com condições de temperatura mais adequadas”.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou hoje que a ministra da Saúde, Marta Temido, vai apresentar ao final da tarde um “programa estrutural” para dar resposta a “problemas estruturais” do Serviço Nacional de Saúde (SNS).