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Sonho de um Carnaval

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Olhei-me no espelho do tempo,
meu coração se enfeitou,
o meu pé saltitou
e com um cheirinho a festa,
longe a minha imaginação voou.

Grande salão engalanado,
damas e cavalheiros conversando,
música alegre mas suave, tocando,
era convite irresistível.

O meu traje era maravilhoso,
colorido, com lindos folhos,
comprido até aos pés, ornamentado
de belas rendas venezianas
nunca vistas pelos meus olhos.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

O meu rosto estava encoberto
com lindos desenhos artísticos
que me ofereciam a liberdade
de ocultar os sinais da idade.

Belo jovem de mim se aproxima
e ao ouvido me sussurra a vontade
de ir comigo dançar uma valsa.

Fico perturbada com tanta amabilidade
e não resisto ao seu convite.

De braço dado, suavemente me leva
para o centro do encantador salão
onde já reinava grande animação.

As suas mãos envolvem a minha cintura,
o seu perfume é uma verdadeira loucura.

Rodopiando, rodopiando, o meu pé
de vez em quando, calcando,
assim tornou a valsa divinal.

Sentia o bater do seu coração
e a sua face de mim se aproximar
em grande excitação.

Por um momento quase tocou
com os seus lábios nos meus.

Ó, meu Deus, que sensação!

Estava prestes aquele beijo
desenhado nas asas de um desejo.

Quase, quase a acontecer,
eis que acordo desse idílio,
suada, a cama toda em desalinho,
assustada, pois era hora
de levantar e sair cedinho.

Já ia longe o amanhecer.

Talvez noutro Carnaval
encontre o meu príncipe
pois neste, afinal,
não passou de um sonho
essa valsa tão especial!

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