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Supernanny, Sim ou Não?

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Quando todos os intervenientes na educação das crianças andam muito caladinhos, fazendo crer que nada se passa, que tudo corre sobre rodas, que não há problemas, que os psicólogos e pedopsiquiatras que existem chegam e sobram, eis que surge um programa de televisão antigo, pois já existe há catorze anos e foi concretizado em vinte e dois países, levantando problemas reais e com protagonistas reais.

Caiu o Carmo e a Trindade!

Ouvem-se opiniões contraditórias, opiniões sem pés nem cabeça, maus presságios como já ouvimos noutras ocasiões, um empolgar de posições que deveras são surpreendentes.

Não vi o primeiro programa mas estive muito atenta ao segundo, exibido no passado domingo.

E gostei.

Achei super-interessante. Pedagógico. Sem tabus. Um reflexo de problemas muito comuns em várias famílias sem capacidade para os resolverem, dentro de portas, e que não optam por medicação para os atenuar.

Nada me chocou.

Conheço crianças e famílias que enfrentam essas situações, criando traumas nos filhos, stress nos pais, cumplicidade negativa com os avós, mau ambiente, desunião, silêncios e um futuro duvidoso para todos.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Louvo a coragem dos progenitores que deram a cara, se expuseram mas com a melhor intenção e dignidade. Afinal o grande mal está nos adultos. São eles os causadores dos distúrbios de comportamento das crianças.

Quantas mães e pais se estão revendo naquela família por estarem sofrendo dos mesmos males?

Todo o percurso do programa tem vertentes pedagógicas dignas de registo.

Humildade e uma grande vontade de salvar a família de uma vida terrível que afecta todos, com ou sem razão.

O facto de os intervenientes terem acesso às imagens gravadas dos seus comportamentos, dá-lhes uma ideia perfeita do papel negativo desempenhado, permitindo uma consciencialização exacta das suas atitudes negativas e inadequadas.

Creio que as próprias crianças, protagonistas em destaque, sentirão tristeza do que faziam e ficarão felizes com a sua própria mudança.

O programa bem demonstra que é possível mudar, é possível resolver os problemas.

Na minha opinião, que lidei trinta e dois anos com crianças e famílias, achei a atitude da psicóloga muito humana, amorosa, conciliadora, não nos dando a imagem de ser uma intrusa na família.

Afinal as crianças estão sempre expostas à opinião de outrem. Na escola, na catequese, na rua, no supermercado, na casa de amigos ou familiares.

E, quando os seus comportamentos são anormais, têm que ser chamadas à atenção para reflectirem sobre as suas atitudes anti-sociais e mal educadas.

Nenhum educador consciente e responsável pode ficar indiferente perante esse tipo de comportamentos e não sentir necessidade de mostrar o caminho certo.

Fica-me a sensação de que as instituições que querem ter o privilégio de defender as crianças e muitas vezes as marcam negativamente para o resto das suas vidas, estão obsoletas e desfasadas da realidade, não aceitando que alguém venha fazer o trabalho que elas têm obrigação de fazer e não fazem.

Quantas crianças são maltratadas, vivem esfomeadas, sem cuidados de saúde e higiene, abusadas e ninguém de direito tem tempo para analisar as denúncias e as livrar das mãos opressoras? Só quando os casos se tornam públicos, aparecem.

Essas não ficarão traumatizadas para a vida inteira?

Espero que o programa prossiga e dessa forma ajude milhares de famílias a melhorar os seus comportamentos. Quando digo famílias, refiro-me, como é evidente, aos pais, familiares próximos das crianças e às próprias crianças.

Serão maiores os benefícios que os malefícios.

Precisamos de muitas, muitas “Supernannys”!