Início Galerias Fotografia Taberna

Taberna

COMPARTILHE
©João Carvalho

Na taberna da Tia Idalina já não restam furos por furar…
O tempo passou e nós fomos longe demais, perdemos a capacidade de sermos iguais,
No tanto que quisemos fazer diferente, ficámos longe, tão longe, longe demais.

Esquecemos como eram felizes aqueles serões;
Jogando damas e dominó à porta da taberna, entre copos de tinto e tremoços para enganar a fome.
Como nos tornávamos gente, ouvindo aqueles homens falar.
Selavam-se negócios com a palavra e um aperto de mão, agora, enchem-se de folhas de palavras vazias em contrato que não se concluem ou respeitam.

Não se negava o bom dia a ninguém, nem um pedaço de pão, hoje olha-se com desdém ou ignora-se aquele que tem muito por inveja e o que nada tem por desconforto, porque é a imagem do fracasso.

Volta, volta no tempo, à taberna da Ti Idalina, ouve;

Os risos dos meninos que bebem pirolitos, os copos de tinto batendo no mármore do balcão.

Abre o teu peito, ao respeito, dá-te a ele sem medo, aproxima-te e diz bom dia,
Quem te disse que tinha de ser diferente? Quem te fez não igual?Somos gente e não ilhas, somos todos iguais.

Na taberna da Ti Idalina, ainda existe o cheiro a bebida, os alguidares dos tremoços,Até a caixa dos furos permanece, faltam agora os homens de palavra,
As partidas de dominó, os gaiatos que bebem pirolitos,
À força de queremos ser diferentes, fazer diferente,
Tornámo-nos amorfos, replicas sem personalidade,
Ficámos todos iguais…”

Texto:AAdolfo
Foto: João Carvalho