Olfacto
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O teste, chamado SmellTracker, fornece uma maneira simples de avaliar a função olfactiva e está disponível em 15 línguas, incluindo português. Resultados preliminares indicam que poderá ajudar as pessoas a monitorizar o seu estado de saúde, servindo para detectar e também para acompanhar a difusão da COVID-19 na população.

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As palavras canela, mel e café podem evocar um delicioso pequeno almoço, mas o SmellTracker utiliza de forma inédita estes ingredientes alimentares do nosso quotidiano para rastrear a COVID-19. “Qualquer pessoa pode entrar na página web do SmellTracker e fazer um teste muito simples para avaliar facilmente se o seu olfacto está alterado – uma indicação de que essa pessoa poderá ter COVID-19”, diz Zachary Mainen, do Centro Champalimaud, cujo grupo está a coordenar um estudo sobre o SmellTracker em Portugal.

A perda do olfacto tem vindo a ser um considerada como um dos principais sintomas da COVID-19. Em algumas pessoas, constitui um sintoma precoce, seguido por outros, tais como tosse e febre – enquanto noutras, é o único sinal físico da infecção.

Embora a perda do olfacto possa acontecer devido a outras circunstâncias, vários estudos e relatórios sugerem que a alteração repentina da função olfactiva é uma característica distintiva da COVID-19. E de facto, este sintoma inusitado, que na maioria dos casos se resolve em poucas semanas, poderá ser uma benesse.

“A elevada taxa de infecção pelo vírus significa que encontrar uma forma fácil e rápida de detectar casos de COVID-19 poderá ser crucial para a saúde pública e individual. No entanto, a realização de testes fisiológicos em grande escala para a COVID-19 é difícil de implementar”, diz Cindy Poo, uma das investigadoras envolvidas no estudo. “É aí que o SmellTracker entra em cena.”

O SmellTracker aborda o problema permitindo que as pessoas monitorizem os seus sintomas, e ao mesmo tempo recolhendo informação vital sobre os padrões de sintomas de COVID-19 na população. Inicialmente desenvolvido no laboratório do cientista israelita Noam Sobel, o teste recolhe, junto dos participantes, as sensações de prazer e de intensidade evocadas por cinco cheiros (escolhidos por cada sujeito numa longa lista de opções). No final deste curto teste, cada participante fica a saber se está, ou não, a apresentar uma resposta olfactiva anormal. O teste pode ser repetido as vezes que se quiser, para quem quer fazer uma monitorização em contínuo.

Será o SmellTracker uma forma eficaz de detectar e rastrear a COVID-19? Um estudo realizado na Suécia junto de milhares de pessoas obteve resultados promissores, que sugerem que os dados recolhidos através do teste conseguem prever a incidência da COVID-19 na população, bem como de outros sintomas não-olfactivos de COVID-19.

“Trata-se de um tipo inédito de projecto de ciência cidadã”, salienta Poo. “Ao nível individual, pode levar a que um maior número de pessoas tome decisões informadas sobre a sua própria saúde, como procurar ajuda médica mais cedo. E o rastreio destes sintomas numa população alargada pode, por outro lado, ajudar as autoridades de saúde a acompanhar a disseminação da doença com maior precisão e a reagir mais depressa aos surtos.”

De facto, os estudos deste tipo poderão ter um grande impacto sobre as políticas de saúde pública. Por exemplo, no Reino Unido, estudos como este já levaram à revisão das recomendações gerais: agora, é pedido às pessoas que apresentam repentinamente este sintoma que se auto-isolem, mesmo que não tenham qualquer outro sintoma.

Tal como acontece com a maioria dos projectos de ciência cidadã, uma das forças deste estudo é a sua escala. Até à data, tem estado a decorrer em nove países (Suécia, Alemanha, França, Holanda, Noruega, Espanha, Itália, Japão e Portugal) e o número de participantes aumenta a cada dia que passa. “Pedimos às pessoas que visitem a página do SmellTracker e façam o teste. É fácil e mesmo interessante avaliar a nossa acuidade olfactiva. Quanto mais pessoas participarem, melhor conseguiremos avaliar a eficácia desta abordagem em termos de saúde pública e pessoal”, conclui Mainen.

Fundação Champalimaud
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva