Coronavirus-positive
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Opinião de Graça AmiguinhoLonge estaria da minha vontade, algum dia escrever este título, em algum dos meus escritos.

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Na vida, nem só o que desejamos de bom, nos acontece. A outra face da moeda também nos pertence.

Enquanto por aqui andamos, de tudo podemos ser vítimas.

Desde março que escrevo sobre esta pandemia que se instalou no mundo, que tem causado centenas de milhares de mortos e da qual ainda nada de concreto se sabe, sobretudo, como poderá ser exterminada da face da Terra, ou se alguma vez desaparecerá definitivamente.

O certo é que o vírus Covid-19 pula e avança, com subtileza, sem alardes, à calada, instala-se nas nossas vias respiratórias superiores e procura, a todo o custo, invadir o nosso corpo, conquistar terreno, reinar e destruir a nossa vida.

É de tal forma camuflado, que no princípio não nos apercebemos que temos em nós um inquilino estranho e desconhecido, porque os sintomas são tão ligeiros, que nos induzem em total erro, erro esse que pode causar uma propagação da doença, incontrolável, junto daqueles com quem normalmente habitamos ou a quem nos unimos em trabalho ou convívio, algumas horas, embora respeitando sempre as regras sanitárias que constantemente nos são recomendadas.

O alerta, para mim, chegou passadas 72 horas, imaginem, quando fui avisada dos sintomas de uns amigos. Eu ainda me sentia sem febre, apenas tinha uma ligeira tosse que aparecia de vez em quando.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Por precaução e porque a minha experiência de vida me ensinou a “não deixar para amanhã, o que posso fazer hoje”, para além dos cuidados que uma pessoa da minha idade deve ter e do respeito e amor que tenho ao filho que coabita comigo, no dia seguinte fui à Urgência de um Hospital que tem convénio com a ADSE, a que pertenço, fui observada, estando tudo nos valores considerados normais.

Contudo, porque a noite tinha sido um pouco mais agitada do que era costume, pedi para fazer o teste.

Não fiquei ansiosa nem preocupada, pois nada me diria que o teste seria positivo.

Mas a notícia chegou célere e a suspeita foi confirmada.

A minha vida continuou com calma, isolada no meu quarto, tomando as refeições no quarto, usando máscara em casa, assim como o meu filho, e ele protegendo-se com luvas para não tocar com as suas mãos nos objetos que eu tocasse.

Como só temos um quarto de banho com chuveiro, sempre que o utilizo é desinfetado com lixívia.

Não poderia ficar em silêncio, nas redes sociais, e calar a minha experiência de vida, animando quem está a passar pelo mesmo e ainda tem paciência para ler e escrever, porque, infelizmente, os que estão muito doentes, apenas gastam as suas energias na luta contra a morte, nos hospitais.

Surgem de toda a parte manifestações de carinho e solidariedade e vou transmitindo o meu espírito positivo, sem complexos de qualquer ordem e mostrando que todos estamos sujeitos a passar pelo mesmo, ninguém podendo dizer “desta água não beberei”.

Não há que ter vergonha da doença nem sentimentos de culpa, se sempre fomos respeitadores da liberdade do nosso semelhante. Ninguém tem o direito de apontar o dedo, seja a quem for, porque, “no melhor pano, cai a nódoa!

A todos os que atravessam esta ponte, comigo, quero dar a minha mão, a minha amizade, a minha força e o meu testemunho de fé e confiança em dias melhores.

Só haverá uma forma de ultrapassarmos tão grande provação: estarmos atentos aos sinais, agindo enquanto é tempo.