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Todos somos património

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Com o turismo alentejano a viver dias de glória, deseja-se que o património de aldeias, vilas e cidades se apresente no seu melhor, pintado, cuidado, digno de tão ilustres visitantes.

Os senhorios são diversos, desde ministérios, a Dioceses e outras entidades. Burocracias e mais burocracias. Tudo manda, poucos executam.

Os municípios, alguns, fazem o que podem. Lavam-lhe a cara, garantem as reparações mais imediatas e urgentes, muitas vezes para evitar uma ruína. Como em tudo, em último recurso, para a vox populi a culpa é sempre do município, mesmo que às vezes não o seja.

Então e nós? Os que amamos o património edificado que nos rodeia, fazemos o que? Identificamos a situação, comentamo-la no café, na barbearia, em casa, mas, na maior parte dos casos, ficamos por aí.

Como diz o povo: “quem quer vai e quem não quer manda.” Foi isso que fizeram no vizinho concelho do Alandroal cujo património tão necessitado está de uma intervenção.

Apercebi-me da situação pelas publicações no Facebook do amigo Luis Lobato de Faria, amante do Alentejo e especificamente do concelho do Alandroal. Identificaram um conjunto de ermidas devolutas, em total estado de abandono, e arregaçaram mangas para, em alguns fins-de-semana, realizarem a labor.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Suportados por generosos e desinteressados contributos, que terão custeado a aquisição de material, e o trabalho braçal dos seus voluntários, foi possível limpar e dar uma demão na fachada da Ermida de Nossa Senhora da Consolação. Tanto quanto pude constatar, mobilizaram-se ajudas da sede do concelho, mas também de Terena, de Vila Viçosa, Alcochete e de Olivenza. Diz quem viu que os havia para todas as idades, dos três aos sessenta anos.

Missão cumprida. À vista desarmada, a ermida parece outra, com um aspeto muito mais apresentável.

Situação semelhante vivemos também por cá quando a comunidade inglesa que forma a Associação dos Amigos do Cemitério dos ingleses se encarregou de limpar e cuidar daquele espaço, mas também da contígua Capela de São João da Corujeira. Angariaram fundos, reuniram esforços e devolveram dignidade a um espaço que, em solo elvense, tanto lhes diz.

O património religioso elvense, julgo que propriedade da Diocese de Évora, encontra-se, na maioria dos casos cuidado, graças aos esforços dos sucessivos executivos camarários, que corporizaram as pretensões turísticas que a cidade foi desenvolvendo ao longo dos tempos. Ainda assim, lamenta-se que em muitos dos casos não seja possível visitá-los, restando aos turistas a hipótese de registar, em fotografia, as suas fachadas.

A exceção que confirma a regra é a devoluta Igreja de Santo Amaro que, talvez por estar afastada dos olhares de todos, não foi ainda merecedora de algum cuidado. A AIAR, oportunamente, identificou a situação e procurou mobilizar esforços. Confesso que desconheço em que ponto estará esse processo, possivelmente em andamento, o que certamente se saudará com entusiasmo.

Parece-me importante que exerçamos uma cidadania ativa, contribuindo positivamente para melhorar o contexto que nos rodeia, não só aportando ideias, como identificando situações onde podem haver melhorias ou até assegurando a manutenção de espaços, a sua conservação. Dispensa-se a maledicência gratuita que nada melhora e só serve para instalar o mau estar.

Haverá entidades encarregues de executar esses trabalhos, mas não nos desmerece fazer o que ainda não foi feito, muito pelo contrário.

Juntos somos mais fortes”, são os Amor Electro quem o diz. Concordo com eles.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Franco Pires

Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes.
Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade.
Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela “Amor entre muralhas” escrita em parceria.
Participou na colectânea “Ei-los que partem” da editora Papel d’ Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, “Searas ao vento”.
Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica “Conversas de Barbearia” do blog Três Paixões.