Um Alentejo tranquilo
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Opinião de Graça AmiguinhoNeste tempo impensável, quando o homem julgava ser conhecedor de quase todos os mistérios da natureza, eis que um vírus, uma pequeníssima partícula, apenas detectada por microscópios sofisticadíssimos, vem mostrar o seu poder destruidor e propaga-se por todo, ou quase todo o universo.

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Em cada dia que passa, as notícias nefastas da sua acção, são de tal forma assustadoras, que o medo se vai instalando e isolando a humanidade dos seus familiares e amigos mais próximos, inibindo-a de uma sã convivência e partilha de ideias e sentimentos.

Muitas pestes destruíram milhões de pessoas, noutras épocas. Porém, em pleno século XXI, um surto epidémico desta grandeza, é uma surpresa para os cientistas de todos os cantos da Terra.

Medidas de contenção decretadas pelo Governo da Nação e avisos de mudança de comportamentos sociais estão sendo acatados por quem é consciente do perigo que paira sobre todos nós, sobretudo, porque podem afectar as gerações mais idosas, menos protegidas e mais facilmente atacáveis, devido às suas fragilidades.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

No meio desta pandemia, que alastra impiedosa, o nosso Alentejo continua, até este momento, imune, sem qualquer caso positivo do Coronavírus (COVID-19), felizmente.

Estaremos perante uma situação que merece ser estudada e avaliada por quem tenha competência para o fazer e que saiba encontrar uma justificação para tal facto?

Há quem afirme que é a vida das pessoas no campo, nos Montes, que lhes dá a imunidade. Creio que, quem faz tal afirmação, não conhece bem o Alentejo. O tempo em que as pessoas viviam nos Montes, já está muito distante. Hoje, os trabalhadores saem pela manhã, para os seus postos de trabalho e regressam às suas casas, ao fim do dia.

A população do Alentejo, numa grande maioria, são pessoas de idade, reformadas, que fazem ali uma vida pacata e só se deslocam às cidades próximas, por motivos de saúde ou para comprarem bens essenciais.

São pessoas muito preocupadas com o asseio das suas casas, tanto interior como exterior.

São pessoas que, na sua forma de estar, não precisam correr muito para chegarem onde querem.

Alimentam-se com coisas simples, refeições onde nunca falta o bom pão, os enchidos de porco, as azeitonas, o tomate, os orégãos, os poejos, os coentros, o pepino e, nesta altura, também os espargos.

Serão estes produtos, a razão para esta imunidade perante o destruidor vírus?

Além de tudo isto, os Alentejanos sempre gostaram muito do seu cantinho e, porque o dinheiro foi sempre pouco nos seus bolsos, habituaram-se ao sossego da sua casa, ao silêncio da suas ruas e a saborear a sombra do arvoredo, nas tardes de calmaria.

A todos os portugueses que sofrem e aos nossos vizinhos espanhóis que tão massacrados estão sendo, o nosso abraço virtual de solidariedade.

Aos meus amados Alentejanos desejo que continuem acatando as ordens superiores e pedindo a protecção Divina para si e para todo o mundo.