Cultura sem fronteiras
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Opinião de Graça AmiguinhoHá um ano que surgiram os primeiros casos de Covid-19 em Portugal, segundo se crê, vindos de Itália.

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Longe do nosso pensamento, alguma vez podermos imaginar, o que esse vírus viria fazer na vida de todos nós.

Fomos sabendo o que se passava noutros países, enquanto, aqui, ia avançando, avançando e espalhando o medo, a preocupação e a morte em tantas famílias.

Mas quando parecia estar tudo já ultrapassado, quando muitas vozes se erguiam fazendo desta pandemia uma “pura invenção”, o vírus transmitia-se, no silêncio, o mundo ia parando, os hospitais ficavam sobrecarregados e os seus profissionais infetados e esgotados.

A morte alastrava a olhos vistos, por todo o mundo, do oriente ao ocidente.

A infeção não escolhia idade, género ou estatuto social.

A todos tratava com a mesma implacável rudeza, deixando marcas duradouras e nefastas aos que lhe conseguiam sobreviver.

Muitos países foram devastados e a terceira idade, quase arrasada, em muitos deles.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

O terror tomou conta das nossas vidas. O medo estava instalado. Como combater o vírus, ninguém sabia. Era cedo demais para haver estudos aprofundados sobre a natureza de um vírus tão abrangente e destruidor.

Todos os cientistas mundiais se empenharam em descobrir uma vacina que pudesse salvaguardar a humanidade do perigo de contágio e das suas mais graves consequências.

Quantos pacientes com Covid tinham que entrar em coma induzido, para poderem ser tratados, com todos os problemas que dessa situação podem resultar.

O comércio, as escolas, os espetáculos, o turismo, os transportes e tantas outros sectores de atividade, têm sido obrigados a encerrar as suas atividades.

As populações são incentivadas a fecharem-se em casa, a isolarem-se dos convívios habituais, a não se poderem deslocar como o faziam habitualmente para não transportarem o vírus, mesmo involuntariamente, pois muitos dos infetados são assintomáticos.

Contudo, cada um vive os seus dias como melhor entende e tem ainda alguma liberdade para tornar os seus dias menos monótonos e dar-lhes sentido.

Quando, há um ano, a pandemia se começou a alastrar por todo o mundo, eu tive a iniciativa de começar a organizar a 3ª Colectânea com autores Portugueses e Espanhóis da Estremadura, da Galiza das Astúrias. Foi uma obra que nos ocupou, até setembro passado, nos animou e nos fez esquecer a pandemia.

Entretanto, aproveitei o melhor possível, o verão, fazendo praia, vivendo ao ar livre, dando pequenos passeios, visitando museus, igrejas, parques biológicos, locais onde nunca tinha ido.

Uma nova Colectânea, chamada “Cultura sem Fronteiras”, começou a ser imaginada e desejada por quem me tem acompanhado nestas andanças culturais e com quem tenho feito verdadeiras amizades que muito nos enriquecem. Em novembro passado, resolvi fazer a minha primeira gravação em estúdio de um poema que musiquei. Realizei o sonho da minha vida. Mas, como o vírus espreita, estava à minha espera e eu não o senti entrar. Foi uma surpresa saber que a pessoa, com quem estivera em estúdio, estava infetada e eu, por “simpatia”, também fiquei. Felizmente, foi ultrapassada essa provação.

Já tinha comprado bilhetes para ir com o meu filho visitar o irmão, ao estrangeiro, e estive, até à última hora, à espera que fosse permitida a viagem, sem ser necessário fazer quarentena.

Uma vez mais, satisfiz o meu desejo e tudo decorreu normalmente.

Continuo trabalhando no meu próximo livro, “Alentejo, meu amor de sempre” que conta com ilustrações do meu filho Rui Barros e a Colectânea está quase, na fase final da sua organização.

É feito um trabalho como se estivéssemos lado a lado, sem conhecer fisicamente, a maior parte dos autores. Nesta obra, a capa é da autoria de uma poetisa e desenhadora que eu não conheço pessoalmente, mas que admiro e respeito, a psicóloga Paula Freire.

Inclusivamente, a ela devo o vídeo da segunda gravação que já fiz, um poema que musiquei, também, e que será a introdução da minha obra, que aqui poderão ouvir e ver, os meus estimados leitores.

Conto-vos todas estas passagens da minha vida, não por me considerar uma pessoa especial, mas para vos incentivar a encontrarem razões suficientes de viver, sem desânimo, sem depressões e sem tristezas que vos tragam doenças.

A pandemia não vai desaparecer tão depressa, quanto todos desejamos. Temos que saber viver com ela. A vida continua!

Cultura sem fronteiras