Um-tempo-de-oportunidades
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Opinião de Graça AmiguinhoTalvez pareça uma utopia, falar de oportunidades, quando tanta gente, em todo o mundo, perdeu o seu posto de trabalho ou viu reduzido o seu salário, enfrentando dificuldades em cumprir as responsabilidades assumidas e vivendo numa situação precária.

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Porém, para grandes males, há sempre grandes remédios. Baixar os braços ou enterrar a cabeça na areia, não será solução para poder continuar a viver.

Os mais velhos voltam a ser o sustentáculo dos filhos para que eles encontrem outros caminhos, agora no seu próprio País, uma vez que emigrar não é a melhor solução.

O turismo está enfrentando a pior crise de todos os tempos. As exportações, em muitos sectores da economia, foram reduzidas a mínimos desastrosos.

A restauração confronta-se com uma diminuição drástica de clientes.

Um Portugal virado para ser um prestador de serviços, que exterminou a produção de cereais e até os olivais e vinhas foram destruídos, hoje confronta-se com um vazio que dificilmente será resolvido nas próximas décadas.

Até a Cultura luta pela sobrevivência. Os artistas perderam os palcos e o público. Os teatros estão vazios, os cinemas, também. Só os desportos esperam um público que está sequioso de espetáculo.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Que resta então, à juventude desempregada, aos que não sendo jovens, não têm idade para ser reformados, nem o desejam, porque têm energia e sonhos por realizar?

É para eles que surgem as “oportunidades” de se valorizarem, de adquirirem mais conhecimento, de ocuparem o tempo de uma forma saudável, manterem a sua mente ocupada, aprendendo, aprendendo novas tecnologias em cursos que a Segurança Social lhes proporciona, dando-lhes as condições necessárias para os poderem frequentar, sem custos e ainda com algumas compensações.

Com os conhecimentos adquiridos poderão, no futuro, ter outras hipóteses de conseguir trabalhar em áreas que não estariam, anteriormente, ao seu alcance.

Os mais idosos estão sofrendo o isolamento, pois perderam os contactos com as suas Universidades Seniores, que lhes proporcionavam idas às piscinas, passeios, confraternizações em grupos corais, grupos de ginástica, grupos de trabalhos manuais e pintura, enfim, momentos em que ocupavam o corpo e o espírito e se uniam em saudáveis comunidades.

As famílias com filhos pequenos, muitas delas, agora, em teletrabalho, têm a grande oportunidade de conhecer melhor as suas crianças e as educarem, valorizando as boas regras de conduta, o que nem sempre acontecia numa situação mais normal, por falta de tempo, por pressa e até por ser mais fácil condescender do que esclarecer.

O importante é viver o presente, encarando-o tal como se apresenta e tentando dar a volta às situações que mais nos preocupam, na medida do possível.

Acreditemos que haverá um amanhã que nos restitua a liberdade, a paz, a sã convivência, o abraço fraterno, o trabalho e o progresso.

Acreditemos que os afetos não morreram neste “deserto” que atravessamos, que o ser humano não perderá a oportunidade de ser melhor, de se dar aos outros e de respeitar o seu semelhante. Façamos do presente, a melhor oportunidade de termos um futuro mais risonho.