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Ficamos alarmados com as notícias vindas a público sobre a quantidade de medicamentos vendidos, destinados a crianças, com o intuito de lhes permitir uma possível melhoria no desempenho escolar, combatendo a dispersão de atenção.

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Qual a razão de tal motivação, por parte dos pais, dos professores e dos médicos psiquiatras?

Os professores vêem-se envolvidos na vida dos seus alunos e, porque estão atentos ao seu comportamento e deficiente desempenho escolar, certamente procuram alertar os pais para os problemas que afectam o percurso normal da aprendizagem das crianças com a melhor das intenções.

Fica então a responsabilidade em grande medida, nas mãos dos principais intervenientes na educação das crianças – os pais.

Compete pois, aos pais, tentar encontrar uma solução que acabe de vez com as queixas de mau comportamento dos filhos, sinalizado pelos professores.

Na maior parte das situações, a criança não sofre de nenhuma deficiência grave. O grande problema reside na falta de regras que os próprios pais não são capazes de estabelecer na vida de seus filhos.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Os dias passam a correr, as horas de convivência familiar são cada vez menos e há que encontrar soluções rápidas para o que não se sabe resolver, não importa como!

Pelo conhecimento que tenho e pelo que me tem sido dado observar, os pais, numa grande maioria, não se preocupam muito com os valores a transmitir aos filhos. Os filhos são objeto de atenção sob o ponto de vista material, permitindo-lhes ter tudo o que é necessário para vestir, calçar, comer e divertir, pondo de parte o bom exemplo de comportamentos sociais e morais como se vivessem numa selva onde o que importa é a sobrevivência, a qualquer preço.

Não ponho em causa o interesse dos pais nos estudos das crianças. Mas gostaria de poder medir a quantidade de encarregados de educação que todos os dias dão volta às pastas dos seus filhos para verem quais as matérias dadas em cada dia, indagarem se as crianças aprenderam e como estimam os seus materiais escolares!

Geralmente, as crianças são «depositadas» nos chamados «Centros de Estudo» onde, por alguns euros, os pais se libertam da responsabilidade de acompanhar os filhos no estudo das matérias dadas em cada dia de aulas.

Também não repudio esses locais porque há muitos pais que não têm a possibilidade de acompanhar os horários de saída das crianças devido aos seus próprios horários de trabalho.

Mas, voltando à questão principal que me impeliu a escrever hoje – o uso de medicamentos para compensação das falhas de concentração das crianças nas aulas.

Que fazem os pais? Qual o caminho mais fácil para resolverem a turbulência mental ou física dos filhos?

Procuram eles interrogar-se se a educação que estão a dar aos filhos é a mais correta?

Trocarão entre si opiniões sobre o conhecimento que têm da psicologia dos filhos?

Sentir-se-ão com saberes à altura de ajudar os filhos a encontrar o equilíbrio desejado para alcançarem o sucesso escolar?

Creio que em muitos casos, por ignorância ou laxismo, a solução encontrada é procurar o médico psiquiatra e solicitar a prescrição de comprimidos que acalmem os filhos.

Perante o médico psiquiatra, quantos pais terão a coragem e honestidade de expor o seu ambiente familiar, os seus hábitos, a forma exata como educam ou pensam educar os filhos?

Quantos pais precisam, em Portugal, de frequentar uma Escola de Pais onde possam ouvir especialistas em pedagogia e psicologia que os alertem para os erros que cometem na convivência com os filhos?

Diz-se muitas vezes que o nosso Estado tem ministérios a mais. Mas talvez lhe falte o mais básico e fundamental – O Ministério da Família para que não fosse necessário haver tantas casas de acolhimento de crianças abandonadas, não houvesse tanto abuso de menores, tantas crianças em risco de pobreza e tantas crianças com comportamentos anormais.