Início Opinião Nuno Pires Uns falam, outros fazem

Uns falam, outros fazem

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Para além de pedras com história, as cidades fazem-se de pedras vivas: as pessoas.

São elas que lhes dão dinâmica, que lhe conferem alma. Valorizam-se de acordo com a riqueza humana das pessoas que as habitam.

Nos tempos que correm as pessoas ganharam visibilidade, as redes sociais vieram dar voz a todas as opiniões, multiplicaram-se, tornou-se fácil proferi-las. Critica-se sem pejo algum, nem sempre de forma construtiva, muitas vezes sem motivo, sem benefício para ninguém, no entanto, são menos os que cedem tempo e esforço para construir algo para o coletivo. E todos ficamos mais pobres.

Felizmente ainda há os que o fazem, desinteressadamente.

A riqueza patrimonial de Elvas é inquestionável. Nem sempre os elvenses, habituados a com ela privar no dia-a-dia, lhe dão o valor devido e muito menos a vivem como ela merece.

Património e elvenses em simbiose, devia ser sempre assim, valorizando-os a ambos.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Foi isso que a associação Ialbax fez. Formada por um conjunto de elvenses que apenas ambiciona praticar livre e saudavelmente a modalidade desportiva que os apaixona, juntaram-se numa primeira noite de Junho e correram com o mote igrejas, percorrendo as mais emblemáticas da cidade. Segundo a imprensa local, foram à volta de quarenta os participantes.

Como já vem sendo hábito, o potencial de atração da Ialbax potenciou o evento que se seguiu, uma semana depois: foi a vez da rota das fontes de Elvas. E lá se percorreram as principais fontes elvenses.

A semana passada, na que foi a terceira edição, a Ialbax correu a rota do Forte da Graça contando com mais de cem participantes que, a correr ou caminhar, percorreram o traçado definido.

Mais três rotas estão previstas, animando as noites das terças-feiras do mês de Julho e levando os elvenses a contactarem com o rico legado que lhes foi deixado, descobrindo locais que muitos não conhecem e dando vida ao património que nos confere identidade única.

Sou dos que ainda não incorporou nenhuma das rotas, contudo pretendo fazê-lo, não só porque a prática desportiva deve estar presente na vida sedentária e agitada que todos levamos, mas porque associações como a Ialbax devem ser apoiadas e potenciadas; fazem-nos falta enquanto sociedade.

Deixo o convite a todos para que amanhã a centena se veja duplicada e a rota do campo traga luz e cor à noite elvense, menos veranil que o habitual, mas ainda assim ávida de vida e dinâmica.

Parabenizo-os a todos pela iniciativa, pela criatividade, por fazerem acontecer apenas pelo prazer de levarem a cabo algo que os apaixona, ainda para mais porque jogo em casa: parabéns, Paulo Araújo.

Palavra leva-as o vento.

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