Início Opinião Graça Amiguinho Porque se usam máscaras e fantasias no Carnaval?

Porque se usam máscaras e fantasias no Carnaval?

COMPARTILHE
©Elvasnews/Arquivo
   Publicidade   
   Publicidade   

Dizem os estudiosos que a primeira máscara de Carnaval terá sido usada 30000 anos A.C.

No mundo ocidental consta que foram os gregos os pioneiros no uso de máscaras que usavam nas festas dionisíacas realizadas em homenagem a Dionísio, divindade responsável pelo vinho e pelos rituais de fertilidade.

Todos dançavam, cantavam, embriagavam-se e faziam grandes orgias evocando a presença do deus através do uso das máscaras.

Sabemos que a Grécia foi o berço do Teatro, uma modalidade artística que recorria ao encantamento das máscaras como meio de os atores não incorporarem os mortos.

Esta modalidade ainda hoje é praticada no Japão.

Na África, as máscaras ainda hoje são feitas por mãos de nativos artistas com feições distorcidas, de tamanhos anormais, usando diversos materiais: cobre, madeira ou marfim.

No Egito antigo mascaravam as múmias, prestes a serem enterradas, enfeitando-as com pedras preciosas.

Há notícia do primeiro Baile de Máscaras em Veneza no séc. XV.

No séc. XVIII, na cidade de Veneza, as máscaras tornaram-se habituais no dia a dia, usadas por todos os habitantes, tapando o nariz e os olhos.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Porém, tal prática foi proibida por dificultar a ação da polícia na identificação dos criminosos que existiam em grande número na cidade.

Nas Américas, as máscaras desembarcaram com os colonos europeus que também levaram os brinquedos infantis, os bailes e outras festas.

Os nativos Brasileiros, nas cerimónias, usavam máscaras simbolizando animais, pássaros e insetos.

Na Ásia eram usadas nos rituais de casamento. Os índios mais velhos de certas tribos primitivas usavam-nas em cerimónias de cura, para expulsar demónios ou em rituais de transição da infância para a idade adulta.

Tribos de Esquimós do Alaska davam às máscaras caraterísticas simbólicas por acreditarem numa dupla vida – a humana e a animal.

As máscaras tinham uma feição dupla. Em certas festas erguiam a externa e mostravam a oculta.

No Brasil, a partir de 1870, as festas de Carnaval tornaram-se mais alegres e divertidas.

Até 1930 as máscaras mais frequentes eram a caveira, a odalisca, o morcego, o médico, o malandro, os super-heróis, o diabo, o príncipe, o bobo da corte, o pierrot, a colombina e o palhaço.

Faziam grandes Bailes de Gala segundo o modelo de Veneza com concursos de fantasias.

Ficou famoso um nome, Clóvis Bornay, concorrente de honra nos desfiles.

Hoje são as Escolas de Samba que determinam os modelos das fantasias que são respeitados e seguidos por todos os seus intervenientes.

O julgamento é feito de acordo com a criatividade, o significado e a importância social do tema abordado, o uso das cores, os materiais aplicados, a riqueza da confecção, os acabamentos das roupas, os adereços, etc.

As fantasias mais vistosas e importantes dos cortejos são as do Mestre Sala e Porta Bandeira para além da Comissão da Frente que transmite a primeira imagem da Escola.

As máscaras sempre foram usadas de acordo com a cultura e a religiosidade dos povos com livre acesso à sua imaginação e valores espirituais invisíveis.

Até os contadores de histórias as usavam para dar mais vida e emoção à sua narrativa.

E nós, como as usamos?

Há quem diga que andamos mascarados todo o ano.