Vai-ficar-tudo-bem
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Na minha já longa vivência, que ultrapassa as sete décadas, passei por muitas situações delicadas que exigiram de mim a busca de forças que desconhecia, para me manter sempre de cabeça erguida e não vacilar, em cada combate que a vida me apresentou.

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Sempre acreditei que, com a minha energia e fé, tinha o futuro nas minhas mãos e poderia moldá-lo como o oleiro molda o barro.

Venci muitas batalhas e noutras, sofri o desaire da derrota. Mas nunca desisti, nem de mim, nem de me dar aos que tinha comigo nesse campo de combate, procurando sempre encontrar algo que me ajudasse a superar os momentos mais difíceis.

A vida é, na verdade, um combate constante

Combatemos os nossos defeitos, combatemos o nosso egoísmo, combatemos o nosso olhar crítico sobre os outros, combatemos a inércia, quando se quer apoderar de nós, combatemos a falta de confiança em nós próprios, combatemos a ambição, quando a deixamos crescer em excesso, combatemos a vaidade que nos tira o brilho da simplicidade, combatemos a doença, quando bate à nossa porta, combatemos a indiferença, quando nos queremos esquecer de quem sofre, combatemos o silêncio, quando as nossas palavras podem ajudar alguém.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Tanto combate, tanta batalha, tanta luta há, sem fazer sentido, também.

Hoje, vemo-nos perante um inimigo que desconhecemos, invisível, implacável, sedento de destruir a humanidade.

Como poderemos combater algo que desconhecemos? Como poderemos ser superiores a esse inimigo?

Escondendo-nos? Ficando limitados nos nossos movimentos? Afastando-nos de quem gostamos? Quem nos garante que, mesmo dentro de casa, sem convívio social, não seremos atacados, a qualquer momento, por esse vírus que ninguém conhece?

Eu oiço e aceito as recomendações que me dão, na tentativa de proteger a minha vida, mas penso muito naqueles que continuaram a sair à rua, a trabalhar, com risco de serem “apanhados” por ele, em qualquer lado.

Afinal, esses profissionais que continuam trabalhando para que o essencial à nossa sobrevivência não falte, como se sentirão?

O medo deles será diferente do nosso?

Que seria de nós, os que estamos sujeitos ao confinamento recomendado, sem essa multidão de trabalhadores das mais diferentes áreas, desde a saúde, primeiros socorros, higienização, fabrico de bens essenciais, venda de produtos indispensáveis à saúde e à nossa alimentação, cuidadores de idosos, políticos que decidem as regras que devemos respeitar ou as forças de segurança que asseguram o seu cumprimento?

Mas a incerteza do futuro deixa-me muito preocupada. Não por mim, mas por tantos filhos, de tantos idosos, como eu, que poderão não encontrar oportunidades de trabalho, quando tudo isto, porventura, tiver passado.

As empresas fecharam portas, o número de desempregados é assustador, o direito a subsídio de desemprego tem um prazo, findo o qual, se não houver trabalho, as pessoas ficam sem meios de sobrevivência.

Que futuro terão as pessoas com 50 anos, depois da Pandemia?

É muito inquietante, sobretudo quando se apregoa, aos sete ventos, que “Vai ficar tudo bem”.

Alguém acredita que é possível, um milagre desses?