Início Opinião Graça Amiguinho Vale a pena plagiar?

Vale a pena plagiar?

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Decididamente, a resposta é um grande NÃO!

Com a facilidade de acesso a tudo, ocorre no pensamento de certas pessoas que mais vale ir buscar o que está pronto a consumir do que se consumir a pensar.

Mas como o «diabo tem uma capa que tapa e outra que destapa» nem sempre é preciso deixar correr o tempo para que a verdade salte como o coelho da cartola do comediante.

A natureza humana sofre de muitas mazelas espirituais e de oportunismos incomensuráveis.

Se há quem goste de ser original e diferente e com o seu talento ir conquistando os seus fãs, há quem percorra caminhos obscuros e tente a fama da forma mais fácil, copiando aqui e ali, fazendo malabarismos com as palavras, no caso da escrita, ou com as notas musicais na composição de melodias.

O leitor incauto nem se apercebe que determinado escrito é uma cópia falsificada de outro escrito porque é difícil fazer essa análise.

Apenas seguindo o percurso do pretendente a escritor nos apercebemos que algo ali não encaixa bem e as suas criações não têm raízes fiáveis.

O mesmo acontece com um compositor. O sucesso no mundo musical tem um largo âmbito pois a ele estão associados os mais diversos factores.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

A qualidade vocal de um cantor nem sempre é a verdadeira razão do seu sucesso se a ela não se acrescentarem outros ingredientes que façam dele um ícone, um ídolo.

A minha visão do mundo diz-me que em muitos casos, nem sempre é preciso ser, o que é preciso é parecer, infelizmente.

À volta de um cantor tem que haver gente com sentido estético, inovador, comercial, publicitário e ambicioso.

Haverá ocasiões em que o mais importante, o artista, passa para segundo plano nas decisões e os que o rodeiam ficam com o poder para dirigir a sua vida profissional.

Não é a primeira vez que se ouve falar em plágio de músicas e talvez não seja a última pois há sempre quem pense ser mais esperto que os outros.

Foi uma grande desilusão para quem, como eu, que aprecia uma boa melodia e achar que a canção em causa poderia vencer, acabar por saber que é uma cópia aperfeiçoada de outra, pois já passaram 39 anos sobre a gravação que se pensa ser a original.

Foi um grande erro para um jovem promissor. E não dar a mão à palmatória maior será o erro.

As redes sociais são incríveis nas apreciações e nas deturpações da verdade. Para despenalizarem quem prevarica, acusam quem, afinal, é considerada gente pouco recomendável, embora de momento, não seja essa organização quem está a ser julgada nesta situação.

Eu posso gostar muito de alguém, ser até capaz de dar a vida por esse alguém, mas serei cega se não souber reconhecer o seu erro, a sua falta, o seu percalço.

Até onde vai a cultura da verdade, o alerta de consciência?

Então somos justiceiros para uns e condescendentes para outros?

Condenamos os tribunais por serem parciais nos seus julgamentos e nós, só porque gostamos de um artista, não somos capazes de lhe dizer que, apesar de ele ter já dado provas de merecer um grande público, errou?

A verdade às vezes é cruel por ser pura. A verdade é dura por não saber a mel!