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Há pouco mais de um ano atrás, em finais de Fevereiro, dediquei o espaço desta crónica ao anúncio feito pelo Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques: o corredor internacional sul ia avançar.

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À data, tive dúvidas, a história obriga-nos a isso. Sendo um projeto muito ambicioso e que trará inúmeras mais-valias para a cidade e para a região, tem conhecido vários revezes.

Pela envergadura que representa, e pelo investimento que requer, decorrerá faseadamente e foi apenas uma dessas fases que na passada sexta-feira foi anunciada com pompa e circunstância: a empreitada de modernização do troço entre Elvas e o Caia.

Desta feita serão apenas beneficiados nove quilómetros de um trajeto que, se deseja, una Elvas ao porto de Sines e, consequentemente, a um futuro com esperança.

As autoridades espanholas marcaram presença num evento que tomou a dianteira e manifestou claramente a intenção portuguesa, e dos seus dirigentes, na sua concretização. Pena que desde o primeiro anúncio até agora, com o entra e sai de governos e cores partidárias, este projeto tivesse ficado em banho-maria, como tanta coisa neste país.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Faltam-nos políticas estratégicas e entendimentos partidários que vão para além dos quatro anos de governação (para aqueles que conseguem completar a legislatura). Infelizmente este é o espelho do país.

Os elvenses estão escaldados. Os anos de eleições trazem-nos sempre muito boas novas que, nem sempre conhecem a luz, para mal dos nossos pecados. Em edições anteriores foi-nos prometido emprego, como agora. Resta-nos esperar para ver se é desta.

Internamente já se instalaram vozes de discórdia. Ataca-se a presença constante de governantes em Elvas. A história também nos diz que, por cá, sempre foi mais fácil avançar com alguns projetos quando houve coincidência de cores entre o governo de São Bento e o executivo da Rua Isabel Maria Picão, no passado como agora.

O ideal seria que todos os concelhos merecessem a mesma atenção, independentemente de relações favorecidas com partidos ou personalidades, mas nestas coisas a injustiça marca presença habitual.

Que o diga Elvas. Caro lhe custou apoiar o monarca errado na Guerra Civil Portuguesa: perdeu o Bispado e na formação de distritos viu a sede do mesmo ser entregue a Portalegre.

Se nos beneficiarem, uma vez por outra, ainda assim estarão em deficit.

Também ouvi falar na decisão de ver instalado o “porto seco” do lado espanhol, favorecendo a cidade vizinha de Badajoz. Obviamente que o mero cidadão comum, como eu, não tem acesso a estas informações e vamos ouvindo e refletindo sobre o que nos dizem.

Uma coisa me alegra, no meio disto tudo: saber que o emprego, e a sua criação, estão no centro das conversas. Depois de tantos anos com a taxa de desemprego mais alta do distrito, Elvas já merecia que, por cá, as forças se unissem para encontrar soluções.

Venham elas. Palavras leva-as o vento.